— O que houve? — Deu para escutar a voz de Francisco do outro lado da linha.
Francisco tinha terminado de se trocar e descido.
Sophia engoliu a raiva, deu um sorrisinho e disse: — É a cunhada, ela disse que quer falar com você. Atende!
Francisco pegou o telefone.
— Fale. — A voz do homem era fria.
Ao escutar aquela palavra, Claudia pensou na ternura que ele usava para falar com Sophia; a diferença era enorme.
Mas ela não tinha outra escolha a não ser perguntar: — Você tem tempo? Não estou me sentindo muito bem e queria...
— Não consigo. — Francisco a interrompeu com indiferença. — Se precisa de algo, fale com o Thiago.
Dito isso, desligou o telefone.
A garganta de Claudia ficou amarga. O que ela iria dizer para Thiago se ligasse para ele?
Então olhou constrangida para a médica. — Meu marido disse que não tem tempo.
A médica franziu a testa. — E se você precisar internar? Alguém da família tem que assinar.
Claudia nem sentia mais tanta dor; era um constrangimento indescritível, e o olhar da médica cortava como uma faca.
Era como se ela não tivesse marido e estivesse inventando desculpas depois de ter feito alguma besteira por aí.
— E se não internar... pode ser? — Claudia perguntou tentando testar o terreno.
A médica olhou com desconfiança. — Você precisa ficar de cama, entendeu?
Claudia tomou coragem. — Eu não tenho família por perto, não posso assinar eu mesma?
Depois de um tempo nesse impasse, a médica provavelmente ficou com medo de a situação agravar, parou de enrolar e arrumou um leito para ela.
Claudia saiu da área de ginecologia de cabeça baixa e não viu as pessoas na frente até quase trombar com elas.
— Cuidado!
Sophia levantou a voz, irritada.
A voz familiar fez Claudia reagir na mesma hora. Ao levantar os olhos, ela achou tudo uma enorme ironia.


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