O coração de Kris disparou no peito enquanto o ciúme queimava em suas veias, com sua mente fervilhando de perguntas. “Quem era aquele com quem ela falava?
Como se lidar com Zeke Mathews já não fosse problema suficiente, agora ele também precisava se preocupar com esse tal de Alex!”
Ainda espiando, percebeu que o sorriso continuava no rosto de Thalassa mesmo depois de encerrar a ligação e jogar o celular na cama, e era um sorriso muito maior do que qualquer um que ela já dera para Zeke.
Tomado pela inveja que pulsava em seu sangue, Kris esteve a um passo de exigir respostas, porém reconheceu que seria um erro e, por isso, se manteve quieto, limitando-se a observá-la.
Por fim, ela entrou no closet, fechando a porta, mas não completamente, e Kris viu a chance de sair sem ser notado.
Com cautela, ele abriu a porta da varanda e entrou no quarto, porém parou de repente ao perceber o celular dela sobre a cama, com a tela brilhando desbloqueada diante dele.
No mesmo instante, ele se coçou de vontade de pegá-lo e verificar o número para o qual ela ligara, e foi preciso reunir toda a força de vontade para resistir à tentação, sabendo que, se fosse pego, Thalassa teria ainda mais motivos para se irritar com ele.
Assim, forçando-se a se mover, ele rapidamente foi até a porta e saiu do quarto sem fazer barulho. Ao descer o corredor, encontrou Luisa vindo na direção dele.
— Aí está você! — Ela exclamou com um pequeno sorriso. — Fui ao seu quarto e você não estava lá.
— Ah... Eu… Eu fui pegar um copo d’água na cozinha. — Kris mentiu, gaguejando.
Luisa franziu a testa, mas não insistiu.
— Eu quase fui direto para o escritório saindo da casa do Zeke, mas lembrei que você estava aqui e quis ver se precisava de alguma coisa.
Kris forçou um leve sorriso, mesmo que sorrir fosse a última coisa que queria.
— Foi muito gentil da sua parte.
— Como está o seu ombro? — Ela perguntou com preocupação. — A Thalassa me contou que os seus pontos se romperam ontem e você precisou ir ao hospital para refazer o curativo.
— Está bem melhor agora. — Kris admitiu, surpreso ao perceber o quanto realmente estava se sentindo melhor.
Dormir na cama de Thalassa resultara na melhor noite de sono que tivera em muito tempo, com o ombro latejando bem menos do que na noite anterior. Se a mãe não tivesse ligado, ele provavelmente ainda estaria dormindo e Thalassa o teria flagrado.
— Que bom ouvir isso. — Luisa respondeu, mas o sorriso dela não chegou aos olhos, e Kris soube na mesma hora o motivo.
— Luisa, quanto ao Alden... Ele foi sincero ontem. Desde o fim com a Vanessa, não houve mais nada entre eles, ele...
— Você vai tomar um banho agora? — Ela o interrompeu, com o tom de repente mais frio. — Quero te ajudar com a tipoia antes de ir embora. Ah, e o café da manhã está te esperando lá embaixo.
Kris entendeu o recado: ela não queria falar sobre Alden. Então apenas assentiu.
— Vou tomar um banho agora mesmo. Obrigado.
Virando-se, ele entrou no quarto e, após se refrescar, escolheu uma calça preta com uma camiseta azul. Luisa, cumprindo o que havia dito, veio ajudá-lo a ajeitar a tipoia antes que ambos descessem lado a lado.
Ao ver os panquecas na mesa, Kris ergueu uma sobrancelha enquanto se sentava.
— Foi você que fez?
Luisa balançou a cabeça, um pouco envergonhada.
— Não, foi o Zeke. Pedi para ele fazer a mais para que eu pudesse trazer para você.
Kris se enrijeceu, fechando o punho sob a mesa ao encarar a comida feita pelo rival.
— Deve ter ficado uma fera. — Disse secamente.
Luisa riu.
— Nem tanto, eu juro.
— A Thalassa também comeu? — Kris perguntou, tentando soar casual.
— Ah, sim, ela comeu bastante. As panquecas do Zeke são deliciosas, e você vai concordar comigo quando experimentar.

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