De um lado a outro da cela apertada, Linda se movia com as mãos cerradas, o corpo tenso e a mente fervilhando. A cada instante naquele ambiente fétido, percebia a sanidade lhe escapar, principalmente depois de o maldito juiz ter negado sua fiança naquela mesma manhã.
Logo, ouviu os passos abafados do guarda se aproximando.
— Visita. — Anunciou ele.
O rosto de Linda se iluminou com expectativa, esperando que fosse seu advogado trazendo boas notícias, mas a expressão azedou no instante em que viu quem era: Karen estava do outro lado das grades, pálida e abatida.
Se Linda se importasse minimamente com ela, teria perguntado como estava…
— O que você está fazendo aqui? — Questionou Linda, apertando as mãos contra as barras enquanto a encarava. — Veio se gabar da sua suposta vantagem sobre mim? Pois saiba que não vai durar muito.
Com os olhos vermelhos e o corpo trêmulo, Karen balançou a cabeça.
— Eu não tenho mais vantagem nenhuma, Linda. O Kris está com as provas.
A respiração de Linda se prendeu na garganta, e seus dedos apertaram com mais força as barras, deixando os nós das mãos esbranquiçados.
— O quê? — Sibilou, com a voz afiada. — Você ousou entregar a ele?
Karen engoliu em seco diante do olhar intimidador da mais velha.
— Eu não entreguei. Outra pessoa encontrou e deu para ele.
— Sua idiota! — Linda rosnou, batendo o punho contra as grades. — Você tem ideia das consequências do que fez? Isso não teria acontecido se tivesse entregue as provas para a Susan destruir!
Karen se encolheu, mas não recuou.
— O jogo acabou, Linda. Suas ameaças não significam nada agora que o Kris descobriu a verdade, que a Tessa não é filha dele. Só estou aqui para deixar claro que você perdeu todo o controle que achava ter sobre mim. E no fim, vai permanecer atrás das grades para sempre, sem jamais poder me tocar de novo.
No entanto, um sorriso lento e ameaçador curvou os lábios de Linda.
— Nem você acredita nisso, querida Karen. — Murmurou, com a voz baixa e perigosa. — Não tente fingir que sua intenção foi apenas dizer que está livre de mim, porque no fundo veio movida pelo medo. Sabe que não solto palavras ao vento e que posso cumprir exatamente o que prometi, afinal eu nunca lanço uma ameaça sem ter a intenção de cumpri-la.
A respiração de Karen se quebrou e seus joelhos cederam sob o peso da tensão.
— Eu tentei impedir minha mãe, juro. Eu…
— Então foi a sua mãe estúpida quem entregou ao Kris? — Linda rangeu os dentes. — Mal sabe ela a encrenca em que foi se meter.
O coração de Karen disparou, e, embora o ódio pela mãe fosse intenso, não estava disposta a aceitar as ameaças de Linda.
— Você está blefando… Não pode fazer nada contra nós.
— Isso é um desafio? — As palavras de Linda saíram em sussurros envenenados, deslizando da boca dela até se dissolverem em uma risada baixa. — Você tem razão. Talvez eu não vá atrás de você ou da sua mãe. Talvez eu vá atrás da sua filha. Afinal, ela não é do Kris, então ele não se importará se algo acontecer com ela.
O rosto de Karen empalideceu de imediato, e, por um instante, as duas permaneceram em um duelo de olhares, enquanto o silêncio sufocante dominava o ambiente. "Era inconcebível acreditar que Linda tivesse acabado de ameaçar uma criança de apenas três anos…"
— Você é nojenta.

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