Thalassa despertou assustada e, de imediato, levou a mão ao celular no criado-mudo. A tela se acendeu, e ela percorreu ansiosa cada notificação em busca de ligações ou mensagens de Kris, mas, ao não encontrar nada, soltou um suspiro pesado e afundou novamente nos travesseiros, sentindo a decepção se instalar em seu peito. "Qual o motivo dele ainda não ter ligado?"
Ela havia passado praticamente todo o dia anterior aguardando por uma ligação ou por uma simples mensagem dele e, a princípio, optara por não atrapalhar, pois sabia que ele estaria com a filha, Tessa. Porém, quando a noite chegou e ela resolveu tentar ligar, descobriu que o celular estava inacessível, e isso apenas aprofundou a dor de sua angústia.
"Por que ele não a procurara?" Ao pousar a mão sobre o coração, percebeu uma estranha inquietação tomar conta de si, porque ele havia prometido ligar e não seria possível que tivesse apenas esquecido, o que a fazia acreditar que algo havia acontecido…
Então, olhou novamente para o aparelho, reparando que a manhã já avançara, e logo afastou as cobertas, erguendo-se da cama com passos silenciosos sobre o chão.
No andar de baixo, o aroma de café da manhã a envolveu, e, ao entrar na cozinha, encontrou Betty ocupada diante do fogão. Thalassa lhe dirigiu apenas uma saudação rápida antes de desviar os olhos para o monitor do bebê sobre o balcão, constatando que Alex ainda dormia profundamente, enquanto Betty a observava, deixando a preocupação transparecer no olhar.
— Kris ainda não ligou?
Thalassa balançou a cabeça.
— Não, ainda não. Já estou ficando apreensiva, afinal o celular dele está fora de área desde ontem.
No entanto, antes que Betty pudesse responder, o celular de Thalassa tocou, fazendo seu coração acelerar. Ela correu para atender, mas, ao ver o nome de Luisa na tela, sentiu a esperança desmoronar, e acabou suspirando antes de aceitar a ligação.
— Alô, Luisa?
— Você está em Baltimore? — A voz da amiga soou direta.
Thalassa franziu a testa diante da pergunta, estranhando o fato da Luisa nem sequer ter retornado o cumprimento, o que não era comum nela.
— Não, continuo em Nova Luz, esperando o Kris voltar. Ele viajou ontem, mas não deu notícias desde então e o celular não está acessível. Por quê? Aconteceu alguma coisa?
Houve um breve silêncio do outro lado, até que Luisa falou em tom cauteloso.
— Você ainda não soube?
— Do que exatamente você está falando? — O pulso de Thalassa acelerou, enquanto uma sensação de presságio percorria sua espinha.
— O quê? — Sussurrou, mal conseguindo assimilar o peso da revelação. "Tessa não era filha do Kris?"
Ela então se lembrou da conversa na cama, pouco antes de ele regressar a Baltimore, revendo o modo como falara de Tessa com carinho e a doçura que brilhara em seus olhos ao chamá-la de sua filha, de forma que aquela revelação só podia tê-lo destroçado. "Não era de admirar que tivesse perdido o controle…"
No entanto, a voz preocupada de Betty a arrancou de seus pensamentos turvos.
— Aconteceu alguma coisa?
Thalassa não respondeu de imediato, com a mente a mil.
— Por que ninguém me contou antes? — Indagou a Luisa, a voz embargada de aflição. — Por que o Kris não me ligou?
— Eu não sei. — Luisa respondeu suavizando o tom. — Mas acho que ele está em choque. Ele mesmo vai precisar explicar os detalhes, só que, agora, mais do que nunca, ele precisa de você. Você deveria voltar…
— É claro. — Thalassa não hesitou. — Estou voltando para Baltimore agora mesmo.

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