— Miller, seu advogado está aqui para vê-lo. — Informou um dos guardas antes de se afastar.
Kris mal reagiu, permanecendo sentado até que a figura familiar surgiu diante de sua cela.
— Sr. Miller. — Disse o advogado, com a voz carregada de horror e constrangimento. — Por que não me ligou antes?
Kris se levantou devagar e se aproximou das grades, mantendo a expressão vazia.
— O Alden entregou a pasta? — Perguntou, ignorando a questão.
O advogado assentiu, ainda com o semblante chocado.
— Sim, entregou. Ela já está sendo processada, e em poucos dias sua mãe será transferida para a prisão para aguardar julgamento.
Kris apenas meneou a cabeça, mantendo o rosto mascarado por uma frieza indiferente, embora a simples menção de sua mãe tivesse apertado seu coração. Linda finalmente enfrentaria a justiça, e, mesmo assim, tudo o que ele sentia era um vazio entorpecedor.
À sua frente, o advogado suspirou, mudando de assunto enquanto insistia.
— Sr. Miller, sério. Por que não me chamou? O senhor sabe que eu poderia tê-lo tirado daqui em menos de uma hora, mas preferiu passar o dia inteiro nesse lugar.
— Como deveria. — Respondeu Kris, em tom plano. — Eu cometi um crime, quase matei uma pessoa. O Henry pode morrer a qualquer instante…
O advogado piscou, depois balançou a cabeça.
— A situação mudou. Depois de algumas ligações, fui informado de que o Henry não está mais em estado crítico. O problema na respiração foi causado pelo nariz quebrado e pelo sangue que bloqueava a traqueia, mas já foi resolvido. Neste momento, ele se encontra estável e em recuperação de uma leve concussão.
Kris ergueu a sobrancelha, sem conseguir definir o que sentia.
— Então ele não está morrendo?
Embora não desejasse a morte de Henry, não conseguiu sentir alívio ao saber que ele sobrevivera.
— Não. — Confirmou o advogado. — Portanto, o senhor não será acusado de homicídio.
Kris soltou um riso descrente.
— Mas o Henry vai prestar queixa por lesão corporal. Sem falar nas imagens da câmera de segurança mostrando eu espancando ele, que já estão circulando.
— Ok, admito que isso vai complicar um pouco. — Reconheceu o advogado. — Mas podemos lidar com isso. Em algumas semanas o senhor estará fora daqui e as pessoas vão esquecer. Quanto ao Henry, só precisamos oferecer algum incentivo.
Kris soltou uma risada amarga.
— Você acha mesmo que oferecer dinheiro ao Henry vai fazê-lo desistir? Ele sempre me odiou e me invejou, mesmo quando eu era tolo demais para notar. Esse ódio nunca mudou, e ele vai fazer de tudo para me derrubar…
O advogado o observou por um instante, franzindo a testa.
— Sr. Miller, pode parecer estranho, mas por que tenho a sensação de que o senhor… Quer ficar preso?
Contudo, antes que Kris pudesse responder, uma voz o interrompeu.
— Kris…

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