Junto à cama de hospital, Karen mal suportava o revirar do estômago diante do rosto de Henry, marcado por hematomas e pelo inchaço. Os tons arroxeados da pele, o corte suturado atravessando a sobrancelha e os olhos inchados a ponto de quase não se abrirem tornavam a visão ainda mais dolorosa.
No quarto estéril, o que restava era o som áspero da respiração dele, dificultada pelo nariz fortemente enfaixado após a cirurgia de realinhamento.
Com a culpa queimando no peito, ela sabia que Kris perderia o controle, mas não esperava que fosse capaz de tamanha violência a ponto de quase matar Henry. E, embora chocada, precisava dele vivo, pelo menos por enquanto, até descobrir como reconquistar o seu amado.
Assim que o viu se mover e gemer ao despertar, com a dor marcada em cada traço do rosto, ela se inclinou e suavizou a voz:
— Como está se sentindo?
Henry resmungou, tentando se ajeitar na cama, mas logo se arrependeu.
— Como acha que eu estou? — Murmurou com a voz áspera. — Estou uma desgraça! Aquele desgraçado quebrou meu nariz! Mal consigo respirar e nem sequer consigo abrir os olhos direito…
Karen tentou soar tranquilizadora.
— O médico disse que seu nariz vai cicatrizar em cerca de três semanas, e como a concussão é leve, você vai ficar bem, Henry.
Henry bufou e se ergueu um pouco, soltando um gemido quando a dor atravessou o nariz.
— E isso deveria me consolar? Aquele desgraçado me humilhou e me fez parecer um idiota diante de todo o mundo!
Karen franziu a testa antes de lembrá-lo:
— Foi você quem mandou a secretária divulgar o vídeo.
Henry a fuzilou com os olhos, mesmo sentindo o rosto latejar.
— Está defendendo ele agora?
— Claro que não! — Retrucou Karen depressa.
— Ótimo. — Murmurou Henry em tom sombrio. — Porque eu não vou parar até ver aquele desgraçado apodrecer na prisão pelo que me fez, e vou garantir isso.
Foi então que a porta se abriu com violência, surpreendendo-os, e uma voz gélida e conhecida atravessou o ambiente como um corte afiado.
— Isso não vai acontecer.
Com passos controlados, Thalassa adentrou o quarto e, de forma calculada, fechou a porta atrás de si. Karen e Henry a encararam, atordoados, até que o semblante dele se deformou em fúria, movimento que apenas intensificou sua dor e o fez estremecer ao soltar um rosnado:
— O que diabos você está fazendo aqui?

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