Assim que Thalassa pressionou o botão de reprodução, a gravação passou a ecoar, e o quarto foi tomado por um silêncio sufocante.
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— Lembra-se de quando fui presa? — A voz de Thalassa soou na gravação. — Você e sua cúmplice armaram contra mim e me jogaram na cadeia. Passei três dias na mesma cela fria e vazia, sem que uma única pessoa fosse me visitar.
— Eu não tive nada a ver com sua prisão! — A voz de Karen se defendeu. — Aquilo foi obra da Linda.
— Quer dizer que a armação da noite do meu casamento, quando você fez aquilo comigo, também partiu dela? — Retrucou Thalassa.
— Sim, Lassa, eu admito. Mas entenda, eu não queria, nunca desejei feri-la. Foi ela quem me obrigou, e até hoje não sei como conseguiu me manipular. Thalassa, a Linda queria que eu deixasse aquele homem abusar de você, mas eu não permiti… Eu o avisei para se afastar, porque, apesar de tudo, você continuava sendo minha amiga, e eu não suportava a ideia de causar-lhe tamanha dor.
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À medida que a gravação avançava, o ambiente parecia esfriar, de modo que o olhar de Henry oscilava entre uma e outra, refletindo a mesma tensão que marcava o rosto de Karen. Thalassa, por sua vez, permaneceu ereta e firme, com a voz serena, embora o semblante tomado por uma fúria gélida recaísse sobre Karen, enquanto a gravação seguia sem pausa:
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— Então o quê, Karen? — A voz de Thalassa vibrou no áudio. — É isso que espera de mim, que eu seja grata porque você não permitiu que aquele homem me violentasse, mesmo depois de ter violado a minha privacidade e me agredido? E quanto ao meu filho, Karen? Você e a Linda mandaram aquele homem me atacar, e por culpa de vocês o meu bebê morreu!
— Não! — A voz de Karen surgiu apavorada. — Eu juro que não tive participação nisso. Foi a Linda quem mandou aquele homem atacá-la, mas só me contou depois, no dia seguinte, quando já era tarde. Fiquei horrorizada, disse que ela não deveria ter feito aquilo, e mesmo assim ela afirmou que matar seu filho era a única maneira de garantir que você não voltaria para prender o Kris outra vez!
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Thalassa pausou a gravação e fixou os olhos em Karen, trazendo nos lábios um sorriso quase imperceptível, mas inconfundível.
— Refrescou sua memória? — Perguntou, num tom calmo, porém carregado de escárnio.
O coração de Karen golpeava o peito com tamanha violência que chegava a encobrir a respiração falha de Henry, trazendo de volta a memória da cela imunda onde fora forçada por Thalassa a se ajoelhar. Kris já lhe dissera que a conversa havia sido registrada, mas os meses se passaram, e ela se convencera de que aquilo não voltaria à tona.
Assim, dirigindo a Thalassa um olhar carregado, deixou a voz escapar trêmula, embargada entre raiva e desespero:



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