— Porque eu sou uma assassina! Eu matei um homem, e o Francis tem uma gravação como prova!
Por um longo momento, Zeke apenas encarou Millie em choque, como se não conseguisse processar o que ela acabara de dizer, e, quando as palavras dela finalmente se assentaram nele, seus olhos se arregalaram e ele balançou a cabeça.
— Millie, do que você está falando? Isso não pode ser verdade. — Balbuciou, com a voz carregada de descrença.
"Millie? Assassina? Não, ele devia ter entendido errado…"
Millie negou com um gesto grave, o rosto pálido e os olhos assombrados enquanto as lágrimas continuavam a escorrer por suas bochechas, e então murmurou com um fio de voz:
— Eu queria que não fosse. Mas é verdade. Eu matei um homem…
Diante da confirmação, ele cambaleou um passo para trás.
— Mas... Como... Você não seria capaz de algo assim. O que aconteceu? Por que está se chamando de assassina?
Millie respirou fundo, trêmula, e começou a explicar.
— Foi há três anos... Apenas alguns meses depois que você e sua família se mudaram de volta para Nova Luz...
— A voz dela vacilou, e os dedos se entrelaçaram nervosos enquanto prosseguiu: — Eu tinha saído dos bicos como faxineira temporária e consegui um emprego como garçonete em um bar sofisticado. Então… Numa noite, fui servir um cliente em uma das salas privativas e pensei que seria como qualquer outro turno, apenas levar as bebidas, receber a gorjeta e ir embora.
Ela soltou uma risada vazia.
— Mas não foi o que aconteceu.
Zeke a escutou com o coração martelando, observando Millie afundar na lembrança.
— Ele começou a ficar... Abusado. No início, eu mandei que parasse, que tirasse as mãos de mim, só que ele não me ouviu.

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