— Porque eu sou uma assassina! Eu matei um homem, e o Francis tem uma gravação como prova!
Por um longo momento, Zeke apenas encarou Millie em choque, como se não conseguisse processar o que ela acabara de dizer, e, quando as palavras dela finalmente se assentaram nele, seus olhos se arregalaram e ele balançou a cabeça.
— Millie, do que você está falando? Isso não pode ser verdade. — Balbuciou, com a voz carregada de descrença.
"Millie? Assassina? Não, ele devia ter entendido errado…"
Millie negou com um gesto grave, o rosto pálido e os olhos assombrados enquanto as lágrimas continuavam a escorrer por suas bochechas, e então murmurou com um fio de voz:
— Eu queria que não fosse. Mas é verdade. Eu matei um homem…
Diante da confirmação, ele cambaleou um passo para trás.
— Mas... Como... Você não seria capaz de algo assim. O que aconteceu? Por que está se chamando de assassina?
Millie respirou fundo, trêmula, e começou a explicar.
— Foi há três anos... Apenas alguns meses depois que você e sua família se mudaram de volta para Nova Luz...
— A voz dela vacilou, e os dedos se entrelaçaram nervosos enquanto prosseguiu: — Eu tinha saído dos bicos como faxineira temporária e consegui um emprego como garçonete em um bar sofisticado. Então… Numa noite, fui servir um cliente em uma das salas privativas e pensei que seria como qualquer outro turno, apenas levar as bebidas, receber a gorjeta e ir embora.
Ela soltou uma risada vazia.
— Mas não foi o que aconteceu.
Zeke a escutou com o coração martelando, observando Millie afundar na lembrança.
— Ele começou a ficar... Abusado. No início, eu mandei que parasse, que tirasse as mãos de mim, só que ele não me ouviu.
— O Francis também estava no quarto, de algum jeito. — Disse ela, com amargura. — Ele era funcionário do bar naquela época, mas mal trocávamos palavras. Eu estava desesperada, tomada pelo pânico e coberta de sangue, e, ao contar que fora em legítima defesa, ele disse acreditar. Quis ir à polícia, porém ele me convenceu de que seria em vão, já que o homem tinha dinheiro e poder, e ninguém se importaria com a minha história, apenas me jogariam na prisão.
Mais lágrimas jorraram e ela tentou piscá-las, em vão, porque turvavam sua visão.
— Ele assegurou que me ajudaria e prometeu que ninguém saberia que eu tinha estado lá. Eu estava desesperada, Zeke, e confiei nele porque acreditava que me salvaria. Francis providenciou tudo para encobrir, mandou apagar as imagens da câmera para apagar meu rastro, me entregou roupas limpas e me tirou dali sem levantar suspeitas.
Em seguida, Millie desviou o olhar, tremendo.
— Poucos dias se passaram até eu pedir demissão, mas Francis não me deixou em paz. Sempre que eu entrava em colapso, ele vinha me acalmar, e, com sutileza, me lembrava de que apenas ele sabia o que havia acontecido, fazendo-me acreditar que minha segurança dependia dele. Então, me pediu em namoro.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Nunca senti amor por ele, mas acreditei que estava em dívida. Ele havia feito tanto por mim que pensei que merecia algo em troca. Assim, começamos a namorar e, logo depois, ele pediu para se mudar para o meu apartamento, e eu aceitei.

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