Thalassa enterrou o rosto no peito de Kris, com os soluços abafados contra a camisa dele, enquanto os braços dele a envolviam com firmeza e carinho.
Ela se agarrou a ele, tremendo, com a mente em completo colapso, gritando internamente contra a realidade que se recusava a aceitar, porque Rita realmente havia partido.
A porta rangeu ao se abrir, e Kris ergueu a cabeça. O médico entrou, seguido por uma enfermeira. Dessa vez, ele não os mandou sair, apenas caminhou até o corpo imóvel de Rita, com a expressão pesada e os olhos baixos, verificando os sinais vitais em silêncio.
Depois de um instante, o médico se endireitou e olhou para a enfermeira. A voz dele saiu firme e objetiva ao declarar:
— Hora do óbito: 7h21.
As palavras atingiram Thalassa como um golpe direto no peito, arrancando-lhe o ar e fazendo seus joelhos ameaçarem ceder, mas Kris a segurou com mais força, impedindo que ela desabasse.
Em seguida, o médico se virou para ela com o semblante tomado por compaixão.
— Sinto muito pela sua perda. — Disse com delicadeza. — Foi mais rápido do que eu esperava. Vou providenciar o atestado de óbito e a transferência do corpo para o necrotério assim que vocês estiverem prontos.
Thalassa apenas assentiu, com a garganta completamente travada e incapaz de responder. O médico e a enfermeira saíram em silêncio, e os passos deles se afastaram pelo corredor até desaparecerem.
Pouco depois, a porta se abriu novamente, e Bridget, Luisa e Alden entraram. Os olhos de Luisa se encheram de lágrimas no mesmo instante, e ela correu até Thalassa, envolvendo-a num abraço apertado e acolhedor.
— Eu sinto muito… — Sussurrou Luisa, com a voz embargada e o corpo tremendo.
Kris se afastou para dar espaço às duas, com as mãos caídas ao lado do corpo. O olhar dele permaneceu fixo em Thalassa, pois a dor escancarada no rosto dela o atravessava com força.
"Deus, ele se sentia miseravelmente impotente naquele momento!"
Bridget se aproximou da cama de Rita com passos lentos e inseguros, vendo que as mãos dela tremiam quando se inclinou, abraçando o corpo sem vida com ternura, enquanto as lágrimas escorriam livremente pelo rosto.
— Como a senhora pôde partir tão cedo? — Chorou, com a voz se desfazendo. — Isso não é justo. A senhora foi uma das melhores pessoas que eu já conheci. Se não fosse pela senhora, eu ainda estaria nas ruas! A senhora me salvou… E não merecia esse fim.
A dor rapidamente se transformou em raiva enquanto ela se afastava, com os olhos ardendo de fúria.
— Quem fez isso com a senhora vai pagar. — Prometeu com firmeza, mesmo com a voz embargada. — Eles vão sofrer por tudo o que fizeram.
Alden permaneceu ao lado de Kris, em silêncio, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo. Observou o amigo, percebendo o maxilar rígido e os ombros tensos. Não precisava perguntar o que ele pensava, porque a culpa e a dor estavam visíveis em cada traço do seu rosto.
O som de passos rompeu o silêncio sufocante, acompanhado por uma voz familiar na porta.
— Bom dia. — Disse o policial que estivera ali na noite anterior para ouvir o depoimento de Bridget, entrando com uma expressão neutra e um tom apático.
— Vim verificar se a vítima havia acordado. — Continuou ele. — Para obter uma declaração sobre o agressor. Mas acabei de ser informado do falecimento. — Ele lançou um olhar breve para o corpo de Rita e acrescentou um: — Sinto muito pela sua perda… — Mecânico e vazio.
As palavras pareceram ocas, e a postura dele demonstrava tédio.
— Infelizmente isso vai dificultar a investigação, mas vamos tentar encontrar o culpado. — Disse com indiferença, como se falasse sobre uma formalidade.
Então, ele se virou para sair, mas a voz de Kris, cortante como gelo, o deteve.

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