Com o maxilar tenso e os dedos passando repetidamente pelos cabelos, Kris andou de um lado para o outro como se estivesse preso em uma cela invisível, e sua voz, abafada e carregada de fúria contida, soava como um sussurro áspero ao telefone.
— Como assim as câmeras param justo ali? E o carro simplesmente desaparece depois disso? O que é isso, mágica? Ele evaporou, por acaso?
Os passos se aceleraram à medida que a ansiedade crescia.
— Me escuta, Smoke. Da próxima vez que me ligar, é melhor ter algo útil para me contar.
Encerrando a ligação com um gesto brusco, ele lançou o celular de volta ao sofá, ofegante, enquanto Alden e Luisa, sentados à sua frente, o observavam em silêncio, ambos com os rostos marcados pela tensão.
Tessa repousava nos braços de Luisa, com o corpinho se movendo suavemente a cada respiração, e Luisa, com os olhos sombreados por olheiras profundas, afagava os fios da menina de maneira distraída, sem quebrar o silêncio que pairava sobre todos.
Já fazia horas desde que o carro de Thalassa fora localizado no acostamento da estrada, perfurado por balas e com os vidros estilhaçados, cercado pelos corpos dos quatro seguranças, caídos ao lado de quatro capangas de Linda, igualmente mortos, sem qualquer rastro dela.
Era madrugada avançada, e ainda assim, o sono parecia algo distante demais para qualquer um deles.
Logo, Kris voltou a caminhar de um lado para o outro, o corpo tomado por uma energia impaciente, com a respiração descompassada e a mente mergulhada em suposições cada vez mais sombrias.
"O que a mãe dele teria feito com Thalassa durante aquelas horas?"
— Kris, você precisa tentar se acalmar… — Disse Alden.
Kris parou de repente, girando para encará-lo com um olhar tão afiado que poderia cortar um vidro.
— Acalmar? — Sibilou, com o tom contido para não acordar Tessa. — Como diabos eu deveria me acalmar? O amor da minha vida foi sequestrado por criminosos violentos que mataram os seguranças dela. E, para completar, a responsável por tudo isso é a minha mãe.
A voz dele se quebrou, com as palavras tremendo entre fúria e desespero.
— Me diga, Alden. Como... Diabos… Eu deveria me acalmar?
Alden se levantou.
— Eu entendo. De verdade. Mas você não pode deixar sua raiva te consumir. Se deixar, vai perder o foco. E você precisa de foco agora. A Thalassa precisa de você.
Os olhos de Kris se tornaram sombrios enquanto o maxilar se contraía com força.
— Se a Linda encostar um dedo na Thalassa, eu juro que... — A voz dele falhou enquanto cerrava os punhos. — Eu vou matá-la pessoalmente.
Alden enrijeceu.
— Kris, não diga isso nem deixe esse pensamento crescer. Por mais que a Linda tenha feito, ela ainda é sua mãe, e tirar a vida dela vai te marcar para sempre. Não vale a pena.
No entanto, Kris soltou uma risada amarga, com os olhos brilhando com uma determinação gélida.
— Eu não me importo.
Antes que Alden pudesse responder, o telefone de Kris vibrou no sofá e, ao ver o nome de Boatemaa na tela, ele o agarrou rapidamente, franziu o cenho e atendeu.
— Boatemaa? O que houve? Está tudo bem?
— Sim, Sr. Miller, está tudo sob controle por aqui. Mas acredito que encontramos uma possível pista sobre o paradeiro da Srta. Thalassa.
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