Enquanto Zeke dirigia Thalassa até a casa onde ela e Luisa moravam, o trajeto permaneceu em completo silêncio. Nas poucas vezes em que ele tentou puxar conversa, ela rapidamente encerrou tudo com respostas curtas e desinteressadas.
Algum tempo depois, ele estacionou o carro na entrada da casa. Ao desligar o motor, virou-se para ela, com a preocupação estampada no rosto.
— Lassa, você está bem?
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Por que não estaria?
Zeke mordeu o lábio, sem saber se devia insistir, pois, desde o dia em que ela desabou em seus braços no escritório, ela voltara a guardar para si os próprios sentimentos, o que o fazia ter certeza de que, mesmo se perguntasse, ela não revelaria o que se passava em sua mente. Ainda assim, ele suspeitava, quase sem dúvidas, de que o motivo estava relacionado a Kris Miller.
— Você não devia deixar que ele te afete. — Arriscou finalmente.
Thalassa enrijeceu.
— Do que você está falando?
— Estou falando do Kris e daquela história de que ele não sabia como a família dele te tratava. Você não devia cair nessa. Ele só estava tentando se livrar da culpa e…
— Prefiro não continuar com essa conversa. — Interrompeu ela, desconfortável.
— Ok, você tem razão. Me desculpa. Não tenho o direito de te cobrar esse tipo de coisa. — Disse Zeke, recostando-se no banco.
Nesse instante, o celular dele tocou, livrando-os do silêncio constrangedor. Logo, ele atendeu e conversou por alguns segundos.
— Certo, estarei aí em breve. — Comentou antes de encerrar a ligação.
— Infelizmente, não vou poder entrar com você. Porém, mais tarde eu passo aqui para ver você e a Luisa. — Avisou.
Depois de ter morado com Thalassa na mesma casa por três anos em Nova York, ele odiava ainda mais o fato de agora viverem em lares separados. Tanto que, quando ela decidiu voltar, ele chegou a sugerir, por meio de Luisa, que ficasse em sua casa em Baltimore, mas Thalassa recusou e preferiu comprar uma casa só para si.
— Ok. Obrigada por ter me acompanhado na festa beneficente. — Agradeceu Thalassa, soltando o cinto de segurança.
Zeke sorriu. Se ao menos ela soubesse o quanto significava, para ele, o simples fato de ela ter aceitado sua companhia…
— Foi um prazer.
Seguiu-se um breve silêncio. Então, tomado por uma ousadia repentina, Zeke soltou o próprio cinto e se inclinou na direção dela, com a intenção de beijá-la na bochecha. No entanto, antes que pudesse se aproximar o suficiente, Thalassa abriu a porta e saiu do carro, deixando-o no vácuo.
— Até mais. — Disse, já caminhando em direção à casa.
Logo, Zeke recostou-se no banco com um longo e sofrido suspiro.
Ao entrar, Thalassa não encontrou sinais da Luisa. Assim, caminhou até a sala de estar e se sentou em um dos sofás, sem pensar em nada específico.
— Lassa, você voltou! — Exclamou Luisa, surgindo empolgada por trás do sofá. — Cadê o Zeke?
— Ele recebeu uma ligação e precisou ir, mas disse que voltaria mais tarde.
— Meu Deus, Lassa! Você foi incrível! — Exclamou Luisa, sentando-se ao lado dela. — Você está viralizando de novo. Eu vi o vídeo do leilão, aquele em que você engana a Linda para dar lances absurdos. Parece que ela foi a única que não percebeu que estava sendo feita de boba.
Luisa riu.
— Também postaram o vídeo da Susan te atacando, e agora a família Miller está virando fofoca por todos os motivos errados, já que o pessoal está detonando eles por toda parte e criticando a forma como te trataram quando você era nora deles. Essas pessoas, de fato, sabem como se destruir sozinhas.


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