Do outro lado da cidade, os Millers não estavam exatamente de bom humor quando chegaram em casa. Susan era a mais irritada, subindo as escadas às pressas e se trancando no quarto. Tyler a seguiu logo depois.
— Viu só como você deixou a Susan chateada? Você tratou ela e a nós como se fôssemos estranhos, tudo para defender aquela mulher. — Acusou sua mãe.
— Mãe, o que a Susan fez foi injustificável. — Rebateu Kris, sentindo o humor piorar ainda mais.
— Injustificável? — A mãe o encarou, incrédula. — Mesmo depois daquela mulher me atacar na sala do organizador e dizer que ajudaria a me processar e me humilhar publicamente?
— O que você fez também não foi certo, mãe. O que passou pela sua cabeça ao tentar usar ameaças para desistir do lance?
— Mas como você esperava que eu pagasse aquele valor absurdo por aquela pintura ridícula?
— Então você não devia ter dado o lance, mãe. — Disparou Kris, mais ríspido do que pretendia.
No entanto, ao ver o olhar magoado da mãe, soltou um suspiro.
— Desculpa, mãe, mas é a verdade.
Karen deu um passo à frente.
— Mas era a Thalassa. Ela armou tudo. Fez sua mãe dar um lance maior.
Kris sentiu o sangue ferver ao lançar um olhar duro para ela.
— Dá para parar de culpar a Thalassa por tudo?
Então, se voltou para a mãe.
— Mãe, era só ter parado quando viu que estava exagerando, mas você insistiu e ignorou completamente a situação da empresa.
— Chega. — Disse a mãe, começando a chorar. — Por que quer me fazer me sentir pior do que já estou? Você sabe que detesto quando fica bravo comigo.
Sem conseguir suportar as lágrimas dela, Kris rapidamente a puxou para um abraço.
— Está tudo bem, mãe. Pare de chorar. Eu não estou mais bravo.
Era mentira, mas o mais estranho era que ele nem sabia ao certo o que, exatamente, o deixava tão incomodado.
— Fico pensando em como aquela mulher descobriu que estaríamos no evento. A gente teve o maior cuidado para ninguém saber que aceitaríamos o convite. Nada me convence de que a presença dela foi coincidência. — Comentou a mãe.
Kris permaneceu em silêncio, já que tudo o que queria era que aquele assunto terminasse de uma vez.
— Kris. — Começou ela, hesitante. — O que vamos fazer sobre o valor do lance? Você sabe que a empresa continua no prejuízo, e eu não posso…
Inspirando fundo, Kris a interrompeu.
— Eu vou cuidar do pagamento, mãe. Mas, por favor, garanta que algo assim nunca mais volte a acontecer.
Nesse momento, o celular dele tocou. Ao olhar a tela, viu o nome de Alden e atendeu.
— Cara, vimos as notícias bombando. Está tudo bem? Quer encontrar a gente na balada para conversar com uns drinks?
Kris não havia cogitado ir ao clube, mas sentiu-se aliviado com o convite, pois sabia que precisava de uma distração.
Alguns minutos depois, ele estacionou no pátio do clube de luxo e entrou, seguindo até a mesa VIP de sempre, onde os amigos já o aguardavam e acenaram ao vê-lo.
— Então, quando ela te disse, anos atrás, que sua família a maltratava, tudo era verdade? — Perguntou Alden, depois que Kris resumiu o que acontecera no evento beneficente.


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