Thalassa sentiu um choque atravessar o corpo no instante em que encarou a imagem na tela, já que era uma foto de uma mulher parecida com ela, completamente nua, montada sobre outro homem... E tudo indicava que estavam transando!
Sim, uma mulher parecida com ela, porque não havia a menor chance de ser ela naquela foto, embora o penteado fosse exatamente o mesmo que usava quatro anos atrás.
Kris deslizou o dedo para a próxima imagem e, em seguida, para outra e mais outra, enquanto Thalassa só conseguia encarar a tela, atônita, já que havia cinco fotos ao todo, todas aparentemente tiradas de algum ponto oculto.
— O que foi agora? O gato comeu a sua língua? — Questionou Kris. — Não dá mais para negar, não é?
— Essas fotos são falsas! — Sibilou Thalassa, com a voz trêmula entre a incredulidade e a fúria. — Eu nem conheço esse homem, e com certeza não transei com ninguém na noite anterior ao nosso casamento!
— Fui eu mesmo quem mandou verificar todas elas! — Rebateu Kris. — Sabe o quanto eu queria que tudo aquilo fosse mentira ou algum engano? Recusei acreditar quando me mostraram. Pedi a verificação não por um, mas por três especialistas de alto nível. Sabe o que aquilo fez comigo quando todos começaram a dizer a mesma coisa, afirmando que as fotos eram reais?
A expressão dele suavizou, tomada pela dor, enquanto a voz caía para um tom baixo.
— Aquilo me destruiu.
Mesmo tendo mantido aquelas imagens no celular por tanto tempo, fazia anos que não as via. Revê-las ali, naquele momento, foi como arrancar as crostas de feridas que ele achava já cicatrizadas.
Contudo, a frustração de Thalassa só aumentava a cada segundo, assim como a confusão, pois, se ele realmente mandara verificar as fotos com tanto rigor, por que, então, elas não haviam sido desmascaradas?
— Não me importa o que esses seus "especialistas" dizem. O que eu sei é que nunca vi esse homem na vida, então como eu poderia ter transado com ele? — Disparou, sarcástica. — Como já falei, na noite anterior ao nosso casamento, eu saí com a Karen e…
Ela parou no meio da frase quando as lembranças daquela noite começaram a invadir sua mente, recordando o quanto Karen insistira para que saíssem e se divertissem em comemoração ao casamento que se aproximava. A "diversão" sugerida por Karen foi ir a um clube e, mesmo depois de Thalassa recusar, ela continuou insistindo até que, por fim, Thalassa cedeu.
Lembrou-se também de como começou a se sentir estranhamente grogue no clube, o que não fazia sentido, já que só tomara uma taça de martíni. Quando o mal-estar se intensificou, disse a Karen que queria ir embora.
Essa foi a última coisa de que se lembrava antes de acordar, na manhã seguinte, em seu quarto, com a cabeça latejando e o corpo inteiro em frangalhos.
À medida que as peças daquele quebra-cabeça se encaixavam, Thalassa sentiu uma onda de dor, traição e raiva tomar conta dela.
— Quem te deu essas fotos, hein? — Exigiu. — Foi a Karen? Sua mãe? Foram as duas, não foram?
— E se foram? — Kris arqueou a sobrancelha, tomado de fúria. — Vai acusá-las de forjar as fotos do mesmo jeito que acusou de mandar aquele homem te atacar? Igualzinho ao que fez com minha mãe, quando disse que ela te incriminou pelo dinheiro que você roubou da minha família?
As lágrimas arderam nos olhos de Thalassa, mas ela se recusou a deixá-las cair, pois estava claro que nada do que dissesse faria Kris duvidar do que a mãe e Karen afirmavam. Para ele, sua voz nunca teve valor.
Recobrando o controle, ela forçou um sorriso de desprezo.
— Se você realmente acredita nisso tudo sobre mim, então por que veio até aqui dizer que não consegue parar de pensar em mim? Que não consegue me tirar do coração?
Logo, Kris deu alguns passos em direção a ela, ao mesmo tempo que um sorriso amargo começava a se formar em seus lábios.
— Porque é verdade. Porque, por mais que eu te odeie, é como uma maldição. Eu sou amaldiçoado a te amar.
O coração de Thalassa se apertou com força ao ouvi-lo pronunciar a única palavra que jamais ouvira de sua boca durante todo o casamento.
Então, ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais, enquanto a observava.
— Por que você não admite logo os seus erros? Por que nunca me implorou perdão por tudo o que fez?



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