Naquele instante, os olhos deles se encontraram. Por vários segundos, permaneceram assim, trocando olhares silenciosos: os de Kris transbordando desespero, enquanto os de Thalassa seguiam vazios.
Ela não tinha dito uma única palavra desde que ele desmascarara Karen, e a cada segundo de silêncio, Kris sentia como se morresse por dentro, desesperado para que ela dissesse algo... Qualquer coisa.
O momento foi interrompido quando Luisa surgiu de repente, marchando até Karen.
— Sua vadia estúpida!
Em seguida, dois tapas violentos estalaram no rosto de Karen, fazendo-a cambalear, enquanto Luisa continuava a ferver de raiva.
— Que tipo de mulher é você? Como foi capaz de pagar a um homem para fazer algo assim com outra mulher? Logo alguém que te amava e te considerava sua melhor amiga? Você é simplesmente desprezível.
Com isso, um novo tapa estalou no rosto de Karen, seguido por outro e depois mais um. Então, seus ouvidos começaram a zumbir, ao passo que a dor se espalhava pelo rosto, fazendo sua cabeça girar…
Estava tão desorientada que não conseguiu reagir. Apenas se agarrou ao braço de Kris, sem forças para mais nada.
— Kris, me salva. Ela vai me matar... Ela quer acabar comigo!
Ela tentou se esconder atrás de Kris, mas ele a empurrou com força ao rosnar:
— Não ouse me tocar novamente. Você sequer imagina o quanto me provoca repulsa... O quanto eu te odeio com cada parte do meu corpo.
Em resposta, Karen o encarou com lágrimas e desespero nos olhos.
— Mas... Mas eu fiz tudo aquilo por você!
As narinas de Kris se dilataram, incrédulas.
— Você fez aquilo por mim?
— Sim. — Karen assentiu com veemência. — Eu fiz por você. Fiz por nós, para que finalmente pudéssemos ficar juntos.
— Para que finalmente pudéssemos ficar juntos? Que porra te fez acreditar que eu queria estar com você?
Diante do comentário, seus lábios se curvaram com nojo, embora o sentimento fosse mais voltado para si mesmo do que para ela. "Como ele pôde ser tão cego e tolo, a ponto de não perceber quem ela realmente era por dentro? Como não viu que, por trás da máscara, havia apenas uma cobra venenosa?"
— Porque eu sabia… — Lamentou Karen. — Eu sabia que, no fundo, você também me amava. Mas a Thalassa apareceu, te seduziu e te roubou de mim!
— Quer dizer que, só por isso, você teve a coragem de mandar alguém abusar dela? — Luisa rugiu, avançando novamente contra Karen, mas ela correu e se escondeu atrás de Kris.
— Por que não me encara e continua explicando, hein, sua desgraçada? — Sibilou Luisa.
— Não precisa se exaltar, Luisa. — Respondeu Kris. — Ela terá a chance de se explicar diante do juiz.
Karen paralisou, com os olhos arregalados e cheios de pavor.
— Ju... Juiz? Do que você está falando?
— Kris, você não pode fazer isso. Não pode deixar que me prendam! Eu sou sua esposa e a mãe da sua filha! Como pode me prender por causa da Thalassa? Nossa filha precisa de mim! — Karen implorou.
— Minha filha vai ficar bem sem você, porque ela não precisa de uma cobra como mãe. — Cuspiu Kris.
Desse modo, as lágrimas desceram pelo rosto de Karen.
— Kris, por favor, não! Eu te imploro... Me desculpa, mas, pelo amor de Deus, não deixa que me prendam!
— Você está arrependida? — Um riso amargo escapou da raiva contida de Kris. — Por sua culpa, eu perdi a felicidade que poderia ter tido com a mulher que amo. Fiz ela sofrer durante todo o nosso casamento porque achei que estava punindo uma traidora, quando ela nunca me traiu. E você acha que um "desculpa" vai apagar tudo isso?
Seus olhos arderam com ainda mais ódio, direcionado todo a Karen, ao ordenar aos policiais:
— Podem levá-los daqui. Imediatamente.
— Espera! — Karen gritou de repente. — Já que decidiu me prender, então trate de prender outra pessoa junto comigo... A sua própria mãe!
No mesmo instante, Kris se enrijeceu, enquanto uma sombra pesada tomava conta de seu olhar.
— O que foi que você disse?
— Eu disse que você também precisa prender sua mãe! Afinal, foi ela quem arquitetou tudo e me obrigou a seguir com o plano!

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