No escritório de Thalassa, após a ligação com Kris, Luisa e Millie a encaravam com diferentes graus de choque e confusão.
— Eu não acredito nisso! Você está mesmo disposta a deixar a Karen sair da cadeia? — Exclamou Millie.
— Tudo por causa do que a mãe dela veio aqui dizer? — Protestou Luisa, furiosa. — E se as duas estiverem agindo juntas para te enganar?
— Rita é uma mulher honesta e jamais conspiraria com ninguém, nem mesmo com a Karen. — Respondeu Thalassa com calma.
— Mesmo assim! — Luisa a olhou como se ela estivesse perdendo o juízo. — Achei que você queria que a Karen pagasse por tudo o que fez com você. Não acredito que vai simplesmente deixá-la sair assim, tão fácil!
Embora Thalassa estivesse exasperada, também conseguia entender a frustração e a confusão das amigas. Por isso, suspirou, levantou-se e caminhou até a janela do escritório, que ia do chão ao teto e oferecia uma vista deslumbrante da cidade.
— Luisa, você se lembra qual foi o principal motivo que me fez voltar para Baltimore? — Perguntou, ainda olhando pela janela.
— Sim. Você queria se vingar da morte da criança que perdeu. — Respondeu Luisa, com a voz um tanto hesitante, como se não soubesse aonde Thalassa queria chegar com aquilo.
— Está certa. Eu queria punir a culpada. Não tinha certeza se era a Linda Miller, a Karen, ou ambas. Mas agora eu sei quem é a verdadeira responsável. A mesma pessoa que orquestrou cada coisa horrível que aconteceu comigo. E essa pessoa ainda está solta.
— Então vai simplesmente perdoar a Karen? Lassa, lembre-se que ela ainda foi cúmplice daquela mulher… — Pontuou Millie, sem conseguir esconder a indignação.
Assentindo, Thalassa se virou lentamente da janela para encarar as amigas novamente, sentindo os olhos se encherem de lágrimas.
— Eu sei. Mas, sinceramente, vocês acham que essa decisão foi fácil para mim? Claro que não foi, Millie. No entanto, aquela mulher que saiu daqui há poucos minutos... É como uma mãe para mim. Ela cuidou de mim, fez muito mais do que qualquer pessoa viva já fez, e, além disso, nunca me pediu nada em troca.
Logo, uma lágrima escorreu por seu rosto.
— Essa foi a primeira vez que ela me pediu algo. E, embora eu saiba que se trata de um grande sacrifício, como poderia recusar? Quero que ela entenda o quanto apreciei tudo o que fez por mim. É justamente por isso que vou libertar a Karen... Ainda que seja apenas por um tempo.
Millie e Luisa se entreolharam, visivelmente apreensivas, até que Luisa falou.
— Por um tempo? O que quer dizer com isso?
Enxugando as lágrimas, um sorriso frio se formou nos lábios de Thalassa.
— O quê? Vocês realmente acharam que eu ia perdoar e deixar a Karen sair impune para sempre? Não, Luisa. Eu não sou o Messias. Sendo assim, é melhor ela se preparar para o que está por vir... Porque, assim que eu terminar com a Linda Miller, ela será a próxima.
…
No dia seguinte, ainda sentada na cama da cela, Karen exibia olhos cansados e um semblante abatido, pois suas esperanças se esvaíam gradualmente. Como se não bastasse, a solidão aumentava desde que sua colega de cela fora liberada no dia anterior.
Ela não tinha conseguido dormir nem um minuto sequer. Afinal, como poderia, deitada naquela cama dura e fedorenta, provavelmente infestada por doenças de todos os corpos que já passaram por ali, ainda mais quando se sentia mais desesperada do que nunca?
Tinha esperado que, ao pedir para a mãe conversar com Thalassa, algo acontecesse. No entanto, já havia passado mais um dia, e ela ainda estava ali. Logo, estava claro que não tinha funcionado.
Sentia-se tão perdida que nem notou o policial se aproximando, e só despertou quando ouviu o som da fechadura da porta sendo destrancada.
— Parece que sorte sorriu para você, hein? Levanta, porque a sua liberação foi autorizada.
Karen piscou, depois estreitou os olhos. "Aquele policial gostava de zombar dela, então como confiar em suas palavras?"
— Quer que eu avise lá dentro que você se recusa a sair porque adora ficar trancada?
Imediatamente, Karen saltou da cama, e o policial, sem perder tempo, a segurou pelo braço, puxando-a consigo. Logo depois, ela foi levada para assinar os papéis para a liberação, além de receber de volta o celular e os brincos.
Assim que terminou, viu Thalassa saindo da delegacia. Com isso, Karen correu atrás dela.

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