No mesmo momento, as mãos de Karen começaram a tremer, enquanto ela levantava o rosto para encarar os olhos frios de Kris.
— Eu... Eu não entendo. O que é isso?
As narinas dele se inflaram com impaciência.
— Não me lembro de você ser analfabeta.
— Divórcio? Kris, você não pode se divorciar de mim! — Protestou.
— Ainda duvida, mesmo com as provas na sua mão? Apenas assine os papéis, Karen. Eu não posso continuar casado com uma mulher como você. Esse casamento nem deveria ter acontecido.
— Mas... Mas e as malas? Por que você trouxe todas as minhas coisas para cá?
Kris lançou um olhar fulminante.
— Já que parece ter perdido a capacidade de compreender, eu vou explicar. Eu não te quero mais nesta casa, muito menos na minha vida.
— Mas... A Tessa... E nossa filha? Você não pode me separar dela! — Disse Karen, voltando o olhar, desesperada, para a mãe, que estava parada atrás dela. — Mãe, por favor, diga a ele que isso é errado.
Rita, por sua vez, se sentiu impotente, incapaz de dizer qualquer coisa. Por mais que soubesse que Kris estava indo longe demais ao tentar afastar Karen de Tessa, também entendia a raiva dele.
— Minha filha está melhor sem você e será bem cuidada. Você poderá visitá-la duas vezes por semana, mas é só isso. Está tudo especificado no acordo de divórcio. — Afirmou Kris, com firmeza.
— Pois eu não concordo com isso! — Sibilou Karen, jogando os papéis no chão. — Eu quero viver com a minha filha, como sempre vivi. Ela é minha filha e merece estar comigo!
— Ela tem razão, Kris. — Interveio a tia Cynthia. — Pergunte a qualquer psicólogo e ele dirá que uma criança da idade dela precisa crescer com o amor da mãe.
— Com todo respeito, eu não pedi sua opinião, tia. — Disparou Kris, fazendo Cynthia se sobressaltar.
Karen não estava sozinha atrás dele, visto que Linda e Tyler também permaneciam no mesmo lugar. Ainda assim, o que mais a incomodava era o fato de Linda nem sequer tentar persuadir Kris a reconsiderar sua decisão, o que lhe causou um amargor profundo no peito.
Em seguida, Kris voltou a encarar Karen com dureza.
— Não adianta jogar esses papéis no chão, pois isso não vai alterar minha decisão. Vamos nos divorciar, e será exatamente nos termos estabelecidos.
Assim, enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto de Karen, ela caiu de joelhos, agarrando-se à perna de Kris com desespero.
— Por favor, não me expulse, Kris. Eu imploro. Não me separe da minha filha.
— Suas atitudes causaram isso. — Cuspiu ele, prestes a empurrá-la, quando uma voz doce, pequena e confusa soou.
— Papai, por que a mamãe está chorando?
Ao se virar de forma abrupta, Kris lançou um olhar estreito para a babá, e sua voz irrompeu sem controle:
— Boatemaa, eu disse com todas as letras que era para deixá-la no quarto, não disse? Então por que a trouxe aqui?
Boatemaa apressou-se em explicar.
— Me desculpe, senhor. Eu avisei à sua irmã, mas ela insistiu em trazer a menina.
Então, o olhar sombrio de Kris recaiu sobre sua irmã, Susan, que estava ao lado da babá.
— Você enlouqueceu? Que diabos há de errado com você? Leve ela de volta agora!
Ele não percebeu o quão severo havia sido até que viu a filha estremecer.
— Papai, por que você está gritando?
Kris respirou fundo.
— Está tudo bem, meu amor, eu juro. Não estou gritando. Por favor, permita que a Boatemaa te leve de volta para o quarto…
— Não! — Karen correu imediatamente até a menina, envolvendo-a em um abraço.
— Meu amor... Meu amor. Eu sei que sentiu minha falta, mas a mamãe voltou, está bem?
Tessa assentiu, mas franziu as sobrancelhas, confusa e preocupada.
— Mas mamãe, por que você está chorando?
— Não é nada, querida. A mamãe está chorando porque vai ter que ir embora de novo e… — Tentou explicar Kris, mas Karen o interrompeu.
— Viu? O papai não vai te mandar embora.
— Obrigada, meu amor. Você é um anjinho. — Murmurou Karen, tomada por um imenso alívio.
Então, forçando um sorriso, Kris olhou para a babá e instruiu:
— Por favor, leve-a de volta para o quarto, Boatemaa.
Boatemaa obedeceu, levando Tessa consigo. Assim que saíram, Kris voltou seus olhos furiosos para Karen.
— Você não consegue fazer nada sem manipular, consegue? Até a nossa filha acabou sendo arrastada para isso.
Karen implorou:
— Kris, você precisa entender. Foi a única maneira que encontrei para não ser separada…
— Poupe suas desculpas. — Cortou Kris, erguendo a mão para silenciá-la. Em seguida, zombou: — Eu é que vou sair desta casa.
Diante da situação, os olhos de Karen se arregalaram.
— O quê? Não! Você não precisa sair. Por favor, Kris. Vamos salvar nosso casamento, pela nossa filha…
— Pare de usar a Tessa como moeda de troca! — Rosnou Kris. — Nada do que você faça vai mudar o essencial: eu jamais conseguiria viver ao lado de uma mulher como você de novo. Sendo assim, o advogado entrará em contato em breve.
À luz dos acontecimentos, Linda se desesperou. Ao decidir defender Karen, jamais imaginou que isso faria Kris abandonar a casa.
— Filho, por favor, repense. Você não precisa sair…
No entanto, Kris apenas balançou a cabeça.
— Sinto muito, mãe, mas eu preciso ir. Vou me despedir da Tessa primeiro.
Por mais que detestasse a ideia de deixar a filha, ele temia que, se passasse mais um dia sob o mesmo teto que Karen, perderia o controle e acabaria fazendo algo do qual se arrependeria.
Linda, por outro lado, estava tomada pela fúria, uma vez que considerava Thalassa culpada por toda aquela situação. Cansada de vê-la destruir a vida deles, prometeu a si mesma que era hora de fazê-la pagar!

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