— Então o giro... Não, não! Quantas vezes eu vou ter que repetir que o giro do vestido precisa acompanhar o movimento de virar no final? Preciso de mais elegância e leveza... O que é isso? O que está acontecendo com você hoje, Carmen?... Não, assim não! Por que está tão rígida?
Thalassa continuava disparando crítica atrás de crítica enquanto observava a modelo desfilar para lá e para cá na passarela improvisada, usando um dos vestidos principais da coleção. Nada do que Carmen fazia parecia bom o suficiente para agradá-la.
Carmen, por sua vez, parecia prestes a chorar, pois já não sabia mais como mover o corpo para satisfazer as exigências de Thalassa.
— Me desculpa, Lassa.
Thalassa bufou.
— Não preciso do seu pedido de desculpas, Carmen. Só preciso que se esforce de verdade. Será que é pedir demais?
— Lassa! — Sussurrou Luisa, finalmente decidindo intervir. — O que está acontecendo com você? Por que está falando com ela desse jeito?
Então, ela se virou para a modelo.
— Carmen, por favor, vá tirar o vestido. Podemos ensaiar novamente amanhã.
— Luisa. — Disse Thalassa, surpresa, claramente incomodada por Luisa ter desafiado sua postura diante das outras.
No entanto, Carmen não perdeu tempo. Saiu da passarela apressada e correu até o camarim. Assim que ela desapareceu, Thalassa virou-se para Luisa com o cenho franzido, cruzando os braços diante do peito.
— Então agora eu não posso mais orientar as modelos?
Luisa suspirou.
— Claro que pode, mas isso que você fez não foi orientação. Me perdoa, mas você agiu como uma megera com ela. E não é culpa da Carmen o que você está passando.
Ela vinha observando tudo do canto, sem se pronunciar, notando como, naquela tarde, as três modelos que haviam ensaiado saíram cabisbaixas, quando antes deixavam os treinos sempre sorrindo.
Estava evidente que a decisão de Thalassa de libertar Karen a afetara mais do que ela própria estava disposta a admitir, e agora ela despejava suas frustrações nas modelos... Ainda por cima sob pressão, já que o desfile de premiação estava a poucos dias.
Thalassa lançou o olhar ao redor, observando as outras modelos que ainda estavam por ali, e seu estômago revirou ao perceber o desconforto nos rostos delas. Aquilo não era típico dela, que sempre fazia questão de manter o ambiente agradável para sua equipe.
Considerando a situação, passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro cansado em seguida.
— Me desculpem, meninas. Eu não estou num bom dia.
— Tudo bem, Lassa. — Responderam, sorrindo com leveza antes de se retirarem da sala de ensaio.
Enquanto Thalassa prometia a si mesma que pediria desculpas a Carmen assim que ela saísse do camarim, Luisa se aproximou, com o olhar suavemente carregado de compreensão.
— Como você está, Lassa? Faltam apenas algumas horas para encerrarmos, mas talvez seja melhor pararmos por hoje. Amanhã, você provavelmente estará mais tranquila.
Thalassa balançou a cabeça.
— Não, estou bem, Luisa. Eu preciso continuar.
Nesse instante, o celular vibrou e, ao pegá-lo da mesa, viu que era Clark ligando. Antes de atender, trocaram um olhar silencioso.
— Alô?
— Oi, Lassa. Espero que esteja bem. Liguei ontem à noite, mas você não atendeu.
Thalassa franziu os lábios, uma vez que havia visto a ligação, mas não estava ânimo para conversar com ninguém. Porém, antes que encontrasse uma justificativa para evitar a conversa, Clark se antecipou e prosseguiu.
— Não se preocupe. Eu imaginei que você estivesse ocupada.
— Por que ligou, Clark? — Perguntou com calma.
— Eu só... Só queria saber se você toparia jantar comigo depois do trabalho.
— É por isso que você me ama. Agora vai, liga para ele.
— Ok. Tudo bem.
Balançando a cabeça, Thalassa discou o número de Clark.
-
Luisa, de fato, tinha razão, uma vez que passar um tempo com Clark lhe fazia bem. Como ele sempre se empenhava para fazê-la sorrir, ao final do jantar, Thalassa já se sentia mais leve e menos tensa, ainda que fosse só por algumas horas…
— E você viu o jeito que aquele cara devorava o bife? Aposto que nunca comeu nada tão bom. — Comentou Clark enquanto saíam do restaurante, arrancando uma risada de Thalassa.
Quando chegaram, o restaurante estava tão lotado que todas as vagas próximas já tinham sido ocupadas. Portanto, Clark precisou estacionar o carro a uma certa distância dali, e era para lá que eles caminhavam.
Assim que finalmente chegaram até o carro, Thalassa imaginou que ele fosse abrir a porta, porém ele parou subitamente, demonstrando uma expressão de espanto.
— Ah, merda!
— O que foi? — Ela perguntou.
— Acho que deixei minhas chaves dentro do restaurante. Droga, não acredito que vou ter que andar tudo de novo.
— Sem problemas. Vamos voltar. — Disse Thalassa, já se preparando para acompanhá-lo, mas ele a impediu.
— Não, eu vou sozinho. Por favor, me espere aqui. — Pediu e, sem lhe dar tempo para protestar, saiu correndo.
Parada ao lado do carro, Thalassa observou o entorno, percebendo que o local onde ele havia estacionado estava estranhamente silencioso. E como não havia ninguém por perto, começou a se sentir desconfortável.
Pouco depois, seu pressentimento se confirmou. Seu coração deu um salto assim que algo duro foi pressionado contra suas costas: era o inconfundível cano de uma arma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Incrível Ex-Esposa do CEO Está de Volta!