Seu coração deu um salto assim que algo duro foi pressionado contra suas costas: era o inconfundível cano de uma arma.
— Não se mexa. — Sibilou uma voz grave atrás dela. Era a voz de um homem. — Você vai vir comigo sem fazer nenhum som. Está claro?
Embora o coração de Thalassa disparasse, ela se forçou a manter a calma.
— E se eu não quiser?
O homem soltou um ruído abafado na garganta, como se não esperasse que ela respondesse.
— Em outras palavras, você não verá o amanhã. Ou quer que eu desenhe?
Ah, não havia dúvida de que estava claro, mas Thalassa tinha consciência de que entrar em pânico não era uma opção. Portanto, precisava manter o controle a qualquer custo.
— Você realmente não quer fazer isso… — Declarou com firmeza, sem permitir que sua voz revelasse o menor sinal do medo que a corroía por dentro. — Pense bem no que está prestes a...
— Cala a boca. — O homem rosnou, pressionando a arma com mais força contra sua coluna. — Apenas ande. Agora!
Thalassa avançou um passo de forma lenta, ao mesmo tempo em que sua mente girava freneticamente. Naquele momento, ela precisava encontrar uma maneira de sair daquela situação, pois cada segundo contava. Além disso, a mão dele tremia contra suas costas, e sua respiração, descompassada, tocava seu pescoço, o que revelava que ele também estava abalado.
De repente, uma voz ecoou.
— Ei! Que porra é essa? Larga ela agora!
"Clark!" O alívio a invadiu, mas logo foi substituído por uma nova onda de ansiedade.
Se não tomassem cuidado, aquilo poderia terminar muito mal.
— Fique onde está! — Gritou o homem mascarado, com a voz falhando de pânico. — Fique longe ou eu juro que atiro nela!
Logo depois, a arma deslizou da coluna de Thalassa até encostar em sua têmpora, deixando claro que um simples movimento do dedo no gatilho seria o suficiente para tirá-la a vida. Ainda assim, ela inspirou fundo, tentando se acalmar apesar da ameaça iminente.
Clark tentou dar um passo à frente, mas o homem voltou a alertar:
Sem aviso, ela girou o corpo, golpeando o homem com o cotovelo nas costelas.
Com isso, a mão dele vacilou, e ela não perdeu tempo em aproveitar a brecha para derrubar a arma, que caiu com um impacto seco no asfalto. Antes que o agressor tivesse chance de reagir, Thalassa agarrou seu pulso e torceu com força.
— Quem te mandou? — Exigiu, com a voz firme e fria. O homem grunhiu de dor, mas não respondeu.
— Fala! — Ordenou Thalassa.
Contudo, ela não percebeu o momento em que a mão livre do homem alcançou o cinto, puxando uma faca de forma furtiva.
— Thalassa! — Gritou Clark, correndo em sua direção.
Assim que ela o olhou por uma fração de segundo, o agressor aproveitou para avançar com a lâmina. Mas, antes que pudesse feri-la, Clark a empurrou com força, colocando-se no caminho do ataque.
Na mesma hora, ouviu-se o som seco da lâmina atravessando a pele, seguido por um gemido de dor de Clark.

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