Ponto de vista de Gideon
Elas não poderiam parecer mais diferentes, as duas mulheres paradas diante de mim na trilha.
Dierdra estava adorável em seu vestido de verão, com rendas delicadas e bochechas rosadas. Era feminina, limpa e quieta. Trazia-me café pela manhã e chá à tarde, e se empoleirava na minha cadeira fingindo interesse pelo que eu estava fazendo.
À noite, agarrava-se a mim, soltando suspiros suaves e ruídos a cada movimento que eu fazia. Sentia-se em casa na minha cama e nas minhas roupas. Era agradável aos olhos e fácil de lidar, concordando comigo a cada passo.
Com seus olhos grandes e inocentes e minha marca em seu pescoço, ela era por quem eu deveria estar me apaixonando.
E então havia Avery.
Avery, cuja massa de cachos se contorcia indomada ao redor de sua cabeça como serpentes ao redor de Medusa. Avery, que tinha lama nas mãos e terra no nariz. Estava vestida com um macacão de jardinagem, um par de luvas saindo do bolso de trás.
Ela cheirava a sol e coisas verdes crescendo, e seus olhos queimavam como fogo infernal quando olhava para mim. Então ela escondia aquele fogo atrás de uma parede de gelo, e tudo que eu conseguia ver era seu rosto fino e pálido.
Ela parecia um fantasma. Eu tinha notado que não comia nos jantares da alcateia. Aos poucos, vinha perdendo toda a suavidade que ganhou quando chegou a Nightwolf e começou a dormir e comer bem.
Não que ela falasse sobre como a tinham tratado, mas era óbvio que havia sido privada de muitas coisas. Eu já tinha aplicado minha punição, em grande parte, aos membros da Alcateia Silvermoon que a trataram mal.
Ainda assim, eu sabia que ela e sua meia-irmã Zara tinham um passado complicado, e foi essa questão que me levou a procurá-la naquele dia.
— Luna. — Chamei. — Pode me acompanhar até meu escritório?
Ela assentiu de modo rígido e silencioso, então passou por mim para seguir em direção às escadas que levavam aos escritórios do segundo andar. Dierdra foi atrás dela e, ao passar por mim, tentou deslizar a mão na minha.
Afastei-a.

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