Ponto de vista de Gideon
Quando Avery fechou a porta e saiu do meu quarto, Dierdra virou seu rosto bonito para mim com um sorriso.
— Bem, então, isso está resolvido. Já vai tarde.
Não disse nada. Não consegui.
A imagem de Avery de joelhos, jurando para mim que estava dizendo a verdade, ficou gravada atrás das minhas pálpebras. Eu a via ali quando fechava os olhos.
Eu me sentia perturbado, mas não era a raiva que tinha sentido antes, quando estava tão certo de que ela mentia para mim.
Agora eu sentia um fio frio no sangue, como o jorro congelado do degelo de inverno, quando as geleiras enviavam riachos gelados pela nossa floresta. O som dos soluços de Avery enquanto implorava atravessava meu coração como cacos de gelo.
Dierdra se esticou na cama, puxando minhas mãos para que eu me juntasse a ela. Relutante, deitei-me para trás, mas não tirei os sapatos.
Percebi que não queria estar ali. Queria estar lá fora, na noite, correndo com meu lobo. Queria sentir algo limpo e frio, e não enjoativo como o calor daquele quarto, ou o corpo de Dierdra enquanto ela se pressionava contra mim.
Eu não queria pensar.
— Gideon. — Dierdra apertou os lábios daquele jeito que fazia quando estava prestes a me pedir algo, ou quando estava infeliz. — Eu gostaria que você me tocasse.
Continuei encarando o dossel da cama acima de mim. Eu não ansiava por sexo naquele momento, embora houvesse vezes em que até eu me sentia tentado pela figura de Dierdra e sua maciez feminina. Embora ela desse todos os sinais de querer mais contato físico comigo, algo paralisava minhas mãos quando eu a tocava.
Ainda assim, rolei na direção dela e pressionei meus lábios contra os seus quando ela abriu a boca para reclamar de novo. Assustada, ela guinchou contra minha boca e fechou os olhos, trêmula.
— Mmm... — Dierdra gemeu, envolvendo os braços ao redor dos meus ombros e me puxando para si. — Sim, beije-me, Gideon.
Fechei os olhos, tentando deixar meu corpo apenas existir ali, permitindo-me aproveitar aquela intimidade. Em vez disso, era Avery quem surgia diante da minha mente. O modo como ela tinha vindo ao meu quarto na nossa noite de núpcias. A forma doce como tinha ficado sob mim, e a ternura dos seus lábios contra os meus.

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