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A Luna Amada do Alfa Sem Coração romance Capítulo 145

Será que eu conseguia?

Apertei os olhos para enxergar aquele corredor, que era tão pouco iluminado quanto os do andar de baixo. Eu supunha que a maioria dos lobos enxergasse bem no escuro, então talvez estivessem tentando economizar com velas.

Dei mais um passo à frente, e as paredes pareceram se mover de forma desconcertante. Percebi que estava me apoiando com força em Reynaud, numa tentativa de não cair.

— Eu, ah... Parece que estou tendo certa dificuldade... — Vacilei.

— Talvez você precise se sentar? — Senti as mãos de Reynaud em meus ombros, guiando-me em direção a uma alcova com cortinas ali perto. — Recuperar o equilíbrio e tudo mais.

— Sim, parece bom.

A sugestão dele era tão útil que sorri para ele, radiante, e vi seu rosto bonito se abrir em um sorriso igual ao meu.

Acabei fixando o olhar nos olhos dele. Eram daquele verde vivo, mas, nas sombras da alcova, pareciam tão estranhamente mortos e vazios.

— Seus olhos! — Murmurei. — Seus olhos estão mortos.

— ... O quê? — Reynaud congelou no ato de se sentar no assento ao meu lado.

— Sim, seus olhos não brilham. — Uma parte de mim percebeu que eu estava dizendo um absurdo, mas, de algum modo, eu não conseguia me impedir. — Por que isso? O que aconteceu com você?

Ele pareceu se afastar de mim então, e percebi que eu tinha dito algo rude.

— Ah, meu Deus, eu não sei o que estou dizendo. — Ri de mim mesma, e então ri do absurdo que era eu estar rindo.

Reynaud, porém, não riu. Ele parecia encarar a escuridão.

— Eu... Preciso verificar uma coisa. — Murmurou. — Fique sentada aqui até se sentir melhor.

— Ah! Você precisa ir! — Ri de novo, mesmo que não houvesse graça alguma. — Bem, estarei aqui.

Fechei os olhos e me recostei no sofá atrás de mim. Ouvi as cortinas ao nosso redor serem fechadas, e então ouvi alguém entrar.

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