Ponto de vista de Avery
Corri como o vento, mas ele estava sempre no meu encalço. Aquele enorme lobo negro, com seu olhar âmbar. Dentes grandes como facas. Senti seu hálito quente nos meus calcanhares e soube que jamais conseguiria escapar dele.
Nunca.
Jamais.
Os renegados estavam no meu encalço quando disparei em direção à vila. Com Gideon protegendo Dierdra, eu estava sozinha. Não havia guerreiros correndo para o meu lado, nenhum defensor disparando em minha direção.
Os dedos da floresta me rasgavam. Galhos e espinhos arranhavam meus membros enquanto eu corria com toda a minha força em direção à vila ao longe, mas tudo estava longe demais.
Os renegados atrás de mim me derrubaram. Dentes e garras rasgaram minha pele, arrancando sangue e abrindo cortes profundos em minha carne.
A dor era indescritível.
Eles agarraram meus braços e taparam minha boca com as mãos para abafar meus gritos. Mesmo enquanto me arrastavam de pé, havia apenas um pensamento em minha mente.
Eles estavam me levando até ele. O Rei dos Renegados. Ele estava cumprindo suas ameaças de me tomar e me usar para seus próprios fins.
Meus pés se recusavam a se mover, recusavam-se a ajudar a me conduzir ao meu destino. Fui arrastada, pálida e sem sangue, de volta para debaixo das árvores sinistras. Seus galhos me enterravam em suas sombras como se eu estivesse sendo colocada em meu túmulo.
Meus olhos tinham se fechado, o mundo girando toda vez que eu os abria. A vertigem revirou meu estômago e, quando os renegados soltaram meus braços de repente, caí de lado e bati contra a terra com um baque seco.
Meus ouvidos zumbiam, mas parecia que vozes vinham de muito longe, chamando meu nome.
— Avery... Avery... AVERY.
Eu queria que as vozes sem corpo me deixassem em paz. Eu só queria ficar deitada ali, entre as folhas doces e apodrecidas, e derreter no solo. Deixar que os cervos encontrassem meus ossos.
— Ela está muito ferida. Segure os tornozelos dela. — Ouvi alguém dizer acima de mim.
Alguém estava me levantando, me movendo. Gemi com a dor daquilo. Por que não me deixavam morrer?

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