Agora, quem estava em falta era eu. Não tinha nada a oferecer que provasse a pureza das minhas intenções.
Por isso, contive-me. Quando pudesse devolver a mãe dela aos seus cuidados, talvez eu ousasse pedir mais.
Despedi-me e voltei para junto dos meus guerreiros enquanto nosso comboio deixava a vila, seguindo em direção ao acampamento e à fortaleza dos renegados onde a mãe de Avery tinha sido vista pela última vez.
Nossa maior chance de sucesso dependia de furtividade, velocidade e força. A maioria dos meus guerreiros possuía duas dessas três qualidades.
Eu possuía as três.
Mais do que isso, eu estava pessoalmente envolvido naquela missão. A mãe de Avery era importante para ela e, portanto, para mim. Eu não podia pedir que outro guerreiro assumisse um risco maior do que aquele que eu mesmo estava disposto a correr.
Então eles me deram cobertura de vigilância e apoio enquanto eu passava sorrateiramente pelos guardas posicionados pelo Rei dos Renegados e entrava pelos corredores das celas onde a mãe de Avery tinha sido vista viva pela última vez.
Ponto de vista de Avery
A batida na minha porta veio nas primeiras horas da manhã. Levei apenas alguns segundos para atravessar o quarto e escancarar a porta.
Gideon estava diante de mim, vestido dos pés à cabeça com roupas pretas de combate. Suas mãos estavam cobertas de sangue, e ele parecia cansado, mas, graças aos céus, ileso.
Perguntas se acumularam na minha garganta, mas percebi que estava apavorada demais para dizer qualquer uma delas em voz alta. E se ele não tivesse boas notícias? E se não tivesse encontrado minha mãe? Ou pior, se tivesse encontrado, mas ela não tivesse sobrevivido? E se todos os guerreiros tivessem morrido?
Eu não consegui dizer nada. Apenas fiquei olhando para ele, as mãos tremendo dentro das mangas do roupão.
— Conseguimos. — Ele soltou, avançando para me envolver em um abraço apertado.

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