Ponto de vista de Avery
A luz da tocha tremulava pelas paredes de pedra, iluminando a tinta vermelha. Ela havia lascado e desbotado com o tempo, mas ainda estava ali. Ainda retratando uma vida da qual eu não me lembrava.
Havia várias cenas: uma aldeia na floresta, com pessoas dançando na praça. Um bebê nascendo, erguido acima da cabeça do sacerdote. Algum tipo de grande cerimônia? E então...
Desastre.
Fogo.
Destruição.
Uma criança sendo roubada à noite por sombras em forma de lobos.
As pinturas paravam depois disso, como uma história escrita pela metade.
Recordei o pouco que sabia sobre os Lycans pela minha educação. Eles costumavam ser retratados como tribos guerreiras, bárbaras e incivilizadas. Dizia-se que os últimos tinham sido eliminados décadas antes. Alguns se espalharam e se tornaram renegados. Alguns poucos foram assimilados pela cultura mais modernizada dos lobisomens.
O restante... Estava morto.
Ou talvez nem soubesse que era Lycan.
Como eu.
Será que aquela nas pinturas era mesmo eu? Será que eu era o bebê roubado pelos lobos sombrios?
Passei a vida inteira acreditando que minha mãe era minha mãe biológica, que eu era fruto de uma Ômega e de um homem que nunca me quis. Se aquilo era verdade, então por que minha mãe não me contou? Por que não me disse que tinha me encontrado, por algum milagre, depois que seu bebê morreu?
Minha expressão devia revelar minha descrença, porque o Rei dos Renegados deu um passo à frente, passando os dedos pelas pinturas.
— Os lobisomens atacaram na noite da sua cerimônia de aceitação. Era lua cheia. A noite deveria ter sido de paz e celebração. Deveria ter consolidado sua conexão com a Deusa da Lua e, portanto, seus poderes.
Algo cintilou em seu olho bom.
Dor.
Como se ele tivesse estado lá.
— Não estávamos esperando. Eles dizimaram a maior parte da nossa aldeia e levaram você no processo.

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