Ponto de vista de Avery
Dierdra me deixou ali, caída no chão.
Mas não antes de me dar um último chute rápido na lateral do corpo.
— Talvez você tivesse algum controle sobre mim em Nightwolf. — Ela se ergueu sobre mim, uma sombra escura bloqueando a luz das velas. — Mas não aqui, escrava. Aqui, sou eu quem manda em você. Você é só a vadia que vai parir os filhotes do Rei dos Renegados.
Com isso, virou-se e saiu da tenda a passos firmes. As duas escravas a seguiram, as correntes tilintando. Ninguém me ajudou. Nem mesmo quando fiquei encolhida em posição fetal no chão, agarrada à minha barriga.
“Levante”, minha loba ordenou. “Você precisa levantar!”
Senti a força dela pulsar através de mim, apenas por um momento, mas foi o suficiente para me arrancar do torpor. Apoiei-me nas mãos e nos joelhos, depois consegui me sentar por completo. Respirei fundo e olhei para baixo. Um soluço rasgou minha garganta, e o abafei com a mão.
Vermelho.
Tanto vermelho.
O sangue agora jorrava entre minhas pernas.
Eu estava perdendo o bebê?
— O que eu faço? — Sussurrei, agarrando minha barriga e olhando ao redor em desespero.
Eu não podia pedir ajuda. Asher provavelmente apenas deixaria meu bebê morrer para substituí-lo por um dos seus. Eu tinha que lidar com aquilo sozinha.
Minha loba recuou, enrolando-se ao redor da pequena forma dentro da minha barriga.
“Vou conter”, ela disse, agora com a voz frenética de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes. “Vá até a janela. Agora!”
— A... Janela...?
Minha cabeça girava. A perda de sangue era grande demais, a dor intensa demais. Mas me forcei a olhar ao redor e vi uma pequena abertura na lateral da tenda que eu não tinha notado antes. Na verdade, era só uma fresta coberta por tela, mas bastava para deixar alguma luz entrar.


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