Ponto de vista de Gideon
Fiquei sentado na sala de espera enquanto Dierdra era examinada, batendo o pé contra o piso de linóleo. Meu lobo andava de um lado para o outro dentro do meu crânio, inquieto e furioso. Cada segundo que eu passava ali era um segundo desperdiçado.
Avery ainda estava lá fora, sozinha, possivelmente presa com o Rei dos Renegados e desesperada por ajuda.
Mas, em vez de ir até ela, eu estava sentado no consultório médico, entrando nos joguinhos de Dierdra. Tudo porque precisava pegá-la na mentira.
Pelo menos, quando ela fosse desmascarada, eu poderia seguir em frente sem que ela me atrasasse.
A porta da sala de exames se abriu, e o médico saiu. Olhou para mim, então gesticulou para que eu o seguisse para dentro.
Dierdra estava sentada na maca, com as pernas penduradas pela beirada. Pareceu nervosa no início, mas sorriu de leve quando me viu.
— E então? — Perguntei.
O médico pegou a prancheta e a estudou por um momento.
— Senhorita Dierdra está perfeitamente saudável. Sem danos internos. Sem sinais de trauma ou abuso. Na verdade, está em excelente condição.
Olhei para Dierdra. Seu rosto havia empalidecido.
— Isso... Isso não é possível. — Ela gaguejou. — Eu estava sentindo tanta dor mais cedo. Senti que havia algo errado.
— Às vezes, o estresse pode se manifestar como sintomas físicos. — O médico disse.
Ele deixou a prancheta de lado e sorriu.
— Mas não há nada clinicamente errado com você. Está saudável como uma loba!
A boca de Dierdra se abriu e fechou algumas vezes. Então ela olhou para mim e forçou um sorriso.
— Deve ser porque estou ao seu lado agora, Gideon. Seu amor me curou.
Meu amor a curou.
Certo...
Eu queria rir. Em vez disso, assenti.
— Fico feliz que esteja se sentindo melhor.
O médico nos lançou um olhar estranho, mas não disse nada. Agradeci a ele e ajudei Dierdra a descer da maca. Ela se apoiou em mim enquanto saíamos, agarrada ao meu braço.
— Obrigada por cuidar de mim. — Sussurrou.
— Claro.
Abri a porta do carro para ela e a ajudei a entrar. Depois caminhei até o lado do motorista e entrei.
...
No dia seguinte, organizei outro encontro. Desta vez, escolhi um restaurante na cidade. Um lugar tranquilo e íntimo, com iluminação baixa e uma carta de vinhos cara.
Dierdra se iluminou quando contei aonde iríamos. Passou horas se arrumando, ajeitando-se e se admirando diante do espelho. Quando desceu, usava um vestido vermelho que se colava às curvas e saltos tão altos que me surpreendi por ela conseguir andar.

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