Ponto de vista de Gideon
— Divirta-se. — Um dos guardas riu.
Ele empurrou a mulher para dentro da minha jaula, fazendo-a cair estendida no chão, então trancou a porta e nos deixou ali.
Deixou-me com ela.
A mulher ergueu a cabeça, lambendo os lábios.
— Você é dos bonitos, não é? — Soprou.
A voz dela parecia o tilintar de sininhos. Suave e doce. Meu lobo queria agarrá-la pelo pescoço e afundar os dentes em seu peito. Queria que eu a tomasse.
Não.
Pressionei-me contra as barras. Aquilo não estava acontecendo. Aquela mulher não era minha companheira. Eu não faria sexo com ela naquela noite. Aquele afrodisíaco não me venceria.
— Fique. Aí. Longe.
Precisei arrancar cada palavra por entre os dentes cerrados.
A mulher apenas riu e rastejou para mais perto, arrastando-se pela terra.
— Ah, vamos. Vai ser divertido. E vai ser tão gostoso...
— Fique longe. — Rosnei.
Mas meu corpo não estava obedecendo. Minhas mãos se moviam sozinhas, estendendo-se para ela. Eu sentia meu controle escorregando. Meu lobo estava tomando conta.
“Não!”, pensei para ele. “Não assim! Ela não é Avery!”
“Isso importa? Eu a quero. Você a quer. Seria bom, depois de toda aquela tortura.”
“Eu não dou a mínima. Isso não é você. Isso não somos nós!”
De repente, tive uma ideia. Mordi meu próprio braço com força. Meus dentes afundaram na carne. A dor explodiu em mim um instante depois, junto com o gosto metálico de sangue enchendo minha boca.
A dor atravessou a névoa. Meu lobo recuou, assustado pelo choque repentino.
Mordi com ainda mais força, obrigando-me a focar na dor em vez do calor nas minhas veias. O sangue agora escorria pelo meu braço. Eu conseguia senti-lo se acumulando ao redor dos meus pés.
A mulher se sentou sobre os calcanhares, encarando-me.

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