— Você merece algo melhor. — Asher disse, apertando meu ombro. — Merece alguém que sempre coloque você em primeiro lugar.
Afastei-me dele.
— Preciso ficar sozinha.
Asher me observou por um momento, então assentiu.
— Claro. Leve o tempo que precisar.
Ele se levantou e caminhou até a saída, mas parou antes de ir.
— Só lembre, Avery. Estou aqui por você. Quando estiver pronta.
Ele saiu, e fiquei sozinha outra vez.
Passei um longo tempo sentada ali, encarando as paredes de lona. Minha mente estava uma confusão, e tudo doía. Meu corpo, minha cabeça, meu coração.
Por fim, tomei uma decisão.
Eu não podia mais ficar com Gideon. Não depois daquilo. O que quer que tivesse existido entre nós tinha acabado. Eu deveria saber disso desde o começo.
Mas também não podia deixá-lo sofrer por minha causa. Não podia permitir que Asher continuasse torturando-o apenas para provar seu ponto. Apesar de tudo, eu ainda me importava com ele.
Gideon precisava escapar.
E eu também.
Ainda tinha quatro doces. Se conseguisse colocar um no chá de Asher, ele dormiria. Então eu poderia roubar suas chaves e libertar Gideon. Nós dois sairíamos daquele lugar e nunca olharíamos para trás.
Era arriscado. Se Asher me pegasse, eu nem queria imaginar o que poderia fazer comigo. Mas precisava tentar.
Peguei os doces do esconderijo sob o colchão e desembrulhei um deles. Depois, usei o pilão e o almofariz para triturá-lo até virar um pó fino.
Pedi ao guarda que chamasse Asher, dizendo que queria conversar sobre o casamento. Ele pareceu surpreso, mas assentiu e saiu.
Alguns minutos depois, Asher chegou. Estava sorrindo.
— Queria me ver? — Perguntou.
— Sim.
Indiquei a pequena mesa onde havia colocado duas xícaras de chá.
— Pensei que poderíamos conversar. Sobre... Nós.
O sorriso de Asher se abriu ainda mais.
— Claro.
Ele se sentou diante de mim e pegou uma das xícaras.
— Sobre o que queria conversar?
Observei enquanto ele levava a xícara aos lábios. Meu coração martelava.
Mas ele parou.
Seu olho bom se estreitou, e ele abaixou a xícara.
— Você preparou isso?
— Sim.
Forcei um sorriso.
— Achei que seria gentil.
Asher girou o chá dentro da xícara, observando-o. Então despejou tudo no chão.
Meu estômago despencou.

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