Eu não quero Avery. Só quero a criança. Não ela. Nunca ela.
As palavras se repetiam na minha cabeça como um disco quebrado. De novo e de novo, até eu não conseguir ouvir mais nada.
Ele tinha voltado pelo bebê.
Não por mim.
Há quanto tempo sabia que eu estava grávida? Ele já sabia antes de Asher me levar? Tinha sentido o cheiro em mim? Foi por isso que voltou? Para buscar seu herdeiro?
Tudo aquilo... Era por causa de um herdeiro. Uma forma de continuar sua linhagem. Eu era apenas o corpo carregando seu filho.
Nada além disso.
Eu deveria ter percebido desde o começo. Talvez, no fundo, eu sempre tivesse percebido. Sempre suspeitei que ele só me mantinha por perto porque queria uma companheira e herdeiros.
Não por amor.
Agora, eu tinha quase certeza.
Talvez fosse por isso que ele tinha dormido com aquela mulher sem pensar duas vezes. A tentação o dominou tão facilmente porque ele nunca me amou de verdade.
O bebê se mexeu desconfortavelmente dentro de mim. Levei a mão à boca, lutando contra a vontade de vomitar. Meu guarda finalmente olhou para mim.
— Está tudo bem? — Perguntou.
Assenti depressa e me virei.
— Vou voltar para minha tenda. — Falei abruptamente.
Passei por ele sem dizer mais nada, ainda escondendo a seringa dentro da manga, e me afastei rapidamente.
Nem pensei no fato de que meu plano estava indo por água abaixo ou que eu estava voltando voluntariamente para minha própria prisão.
Eu só precisava ficar sozinha.
Quando cheguei à tenda, minha decisão já estava tomada.
As terras humanas.
Era para lá que eu precisava ir.
Exatamente como no meu sonho.
Eu levaria meu bebê e desapareceria. Começaria uma vida nova em um lugar onde ninguém pudesse me encontrar. Onde nunca mais precisaria ser peça no jogo de ninguém.
Sem Asher.
Sem Gideon.
Apenas eu, meu filho e minha mãe, finalmente vivendo em paz.
Eu estava tão perdida em meus pensamentos que não percebi a aba da tenda se abrir até ser tarde demais.
Asher entrou.
Seu olho bom pousou em mim imediatamente.
— Avery. — Disse, aproximando-se. — Ouvi dizer que você foi à minha tenda mais cedo. Queria me ver?
Congelei.
Instintivamente, empurrei a seringa ainda mais para dentro da manga, com o coração disparado.
— Eu... Fui falar com você. — Gaguejei.
O olhar de Asher percorreu meu corpo, analisando minha aparência. Meu rosto pálido. Minhas mãos trêmulas.
Ele franziu a testa.
— Está se sentindo mal?
— Não, estou bem.
Forcei um sorriso.
— Só precisava conversar com você sobre... Sobre o casamento.
Asher me observou por mais um instante, então assentiu.
— Muito bem. O que quer conversar?
Hesitei, sem saber o que dizer.
Asher pareceu perceber minha pausa, porque seus ombros cederam um pouco.
— Entendi.
Ele suspirou baixinho.
— Você ouviu, não foi? O que Gideon disse.
Quando continuei em silêncio, ele prosseguiu:
— Sinto muito que tenha precisado ouvir aquilo, Avery. De verdade. Você merece algo melhor.
Encarei o chão.
Meu peito parecia vazio.
— Sei que isso é difícil para você, bonequinha.
Asher deu mais um passo em minha direção. Estendeu a mão e afastou uma mecha do meu rosto, colocando-a delicadamente atrás da minha orelha.
— Você achou que ele se importava com você. Achou que tinha vindo até aqui para resgatá-la porque a amava. Mas a verdade é que ele só veio pelo bebê. Pelo herdeiro dele.
Mordi a parte interna da bochecha até sentir gosto de sangue.
Então Asher enfiou a mão no bolso e tirou alguma coisa.
Um pequeno frasco contendo um líquido leitoso.
Ele retirou a tampa e o estendeu para mim.
— Aqui.
Encarei o frasco.

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