Meu peito se apertou de dor.
Eu não queria imaginar Avery passando seus últimos momentos com os pulmões cheios de água.
Ou com a cabeça presa entre as mandíbulas de um puma faminto.
— Tem mais uma coisa. — Tegan disse, coçando a cabeça. — Descobrimos que uma quantidade considerável de joias e dinheiro desapareceu do tesouro. Acreditamos que Avery pegou tudo antes de ir atrás de Dierdra.
Encarei meu Beta, chocado.
— O quê?
Tegan fechou o caderno.
— Como ela não passou do rio, provavelmente o dinheiro também se perdeu.
Virei-me para longe dele.
Avery tinha roubado da alcateia.
Matado Dierdra.
E depois morrido tentando fugir.
Nada daquilo fazia sentido.
Aquela não era a Avery que eu conhecia.
Ela não faria uma coisa dessas.
Mas então me lembrei do jeito como tinha me olhado no acampamento de Asher.
Da frieza em seus olhos.
De como ficou parada enquanto ele me torturava.
Talvez eu não a conhecesse tão bem quanto imaginava.
— Continue a investigação. — Falei com firmeza. — Vasculhem o rio. Procurem na floresta. Quero uma confirmação.
— Sim, senhor.
Tegan saiu, e voltei para dentro da estufa. Com um estalar de dedos, mandei os outros homens embora.
Eles se dispersaram na mesma hora.
Quando fiquei sozinho, me agachei ao lado do corpo de Dierdra.
Seu rosto estava pálido e coberto de hematomas. O ferimento na têmpora era horrível, afundado no ponto em que a pedra tinha atingido.
Seus olhos estavam fechados.
Fiquei olhando para ela por um longo momento.
Aquela era a mulher que tinha me traído.
Que tinha trabalhado com o Rei dos Renegados.
E agora tinha alcançado seu último objetivo.
Tinha tirado de mim a única coisa com que eu realmente me importava neste mundo.
— Vai se foder. — Sussurrei.

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