Ponto de vista de Avery
Os dedos de Gideon se enroscaram no meu cabelo, puxando-me para cima. Minha cabeça se inclinou para trás, expondo minha garganta.
— Agora... — Gideon se aproximou. Eu conseguia sentir sua respiração na minha bochecha. — Vamos falar sobre punição.
Eu não gostei do rumo que aquilo estava tomando. Tentei olhar para o rosto dele, com o branco dos meus olhos aparecendo, mas ele puxou com mais força, e eu não conseguia encará-lo direito daquele ângulo.
— Qual é o papel da violência em uma alcateia? — Ele perguntou.
Esforcei-me para pensar em uma resposta. A violência sempre tinha vindo até mim por causa de quem eu era, não do que eu fazia.
Meu pai recorria à violência como outros recorriam a um cigarro. Ele a desejava, e ela o acalmava.
A minha violência sempre havia sido um mecanismo de defesa. Algo que eu usava quando todas as minhas outras opções tinham acabado.
Gideon queria que eu lutasse contra ele? Debati-me fracamente, e as mãos dele se apertaram até que eu parasse.
— Uma ferramenta, Avery. — Ele continuou, com a mesma voz paciente. — Uma ferramenta ruim nas mãos de um tolo, mas mortal mesmo assim. Você não é uma tola, é?
— Tento não ser. — Forcei as palavras por entre os dentes cerrados.
Meu couro cabeludo começava a doer, e eu precisava ficar na ponta dos pés para tentar aliviar a pressão.
— Ótimo. Porque eu não vou me casar com uma tola.
— Jessica vai ficar decepcionada.
Ele riu e me soltou.
— Sim, imagino que vá.
Esfreguei a cabeça com pesar e o observei enquanto ele contornava a mesa de volta. Começou a remexer nas gavetas.
— Então... Você não vai me punir?
Ele ergueu os olhos com um pequeno sorriso presunçoso.
— Você quer que eu faça isso?
— N-n-não? — Tive uma dificuldade surpreendente para encontrar essa resposta.

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