(Ponto de Vista de Ryker)
— Finn... Finn! — Gritei para chamar a atenção dele, enquanto mantinha minha aura ativa, já que não podia recuar agora, mas ainda podia ajudá-lo se ele reagisse rápido.
Assim que ele me olhou, com aquela dor toda nos olhos, eu senti o impacto na hora. Era exatamente o mesmo olhar da Kennedy naquela noite na floresta, quando achei ela quase morta de frio, como se já tivesse se rendido à dor.
— Sua companheira está sendo acusada de crimes contra a minha alcateia e a sua. Ela será levada a julgamento e será considerada culpada pela minha alcateia… A sua pode dizer o mesmo?
Ele estava com dor demais para responder, então eu precisava que alguém falasse por ele, alguém que a acusasse. Por isso, comecei a procurar, tentando cruzar o olhar com qualquer um ali.
— Sim! Sim, ela é culpada! — Uma mulher na ponta do grupo gritou, avançando um pouco. — Ela garantiu que ia ajudar a gente depois que perdemos nossa alcateia. Mas, depois que nos comprometemos com ela, fomos deixados à própria sorte, passando fome, a menos que ajudássemos ela a entrar na sua alcateia. A gente participou de ataques contra inocentes, então faz o que achar melhor com ela.
Ela cuspiu no chão, com desprezo.
— Mas deixe o Finn em paz. Ele sempre cuidou da gente, sempre abriu mão da própria comida para que tivéssemos o suficiente, e ainda enfrentava ela quando queria nos punir.
— Finn, você tem o direito de rejeitar a sua companheira. Ela vai morrer… E nós podemos te poupar da dor de sentir isso através do vínculo.
— Eu… Eu não… Eu não posso… Ela é minha companheira, eu não posso… — Ele chorou, com a voz embargada.
— Finn… — Kennedy sussurrou, tremendo. — Por favor, Finn… Se livre dela. Deixa a gente te ajudar… E ajudar a sua alcateia… — Senti o gosto salgado das lágrimas dela antes mesmo de entender o que estava vindo junto… Aquela dor atravessando o nosso vínculo, pesada demais pra ignorar. Só que, diferente da Amy, ela ainda tentava me poupar, engolindo tudo sozinha, como se pudesse dar conta de salvar ele… De salvar todo mundo.
— Eu não posso, Luna… Ela é minha companheira… A única que eu tenho…

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