(Ponto de Vista de Elara)
— Alfa, você precisa comer e descansar. — Melanie entrou trazendo uma bandeja com comida e café. — Você não está seguindo o plano que os guerreiros montaram.
— Aquele plano foi feito pra eles e para rotação deles, não pra mim. — Rosnei, mas, logo em seguida, fechei os olhos e puxei o ar fundo, visto que ela não merecia o meu mau humor. — Desculpa, Melanie.
— Tudo bem, Alfa. Mas eu realmente acho que você precisa descansar. Vai te ajudar a se concentrar melhor e talvez te deixe um pouco menos irritada. — Ela deu um sorriso de canto, e eu devia estar exausta demais pra deixar ela falar assim comigo, porém, antes mesmo de eu reagir, ela continuou: — Viver à base de café só vai te sustentar até certo ponto. — O sorriso dela suavizou. — Quando foi a última vez que você dormiu mais de duas horas?
— Ontem, quando você me expulsou do meu escritório. Por quê?
— Isso foi há três dias. — Ela apoiou a mão na cintura, e meus olhos se arregalaram. — Agora, eu vou te dar uma hora pra terminar o que está fazendo e, se você não subir pra se arrumar e dormir, eu vou chamar reforços.
— Quem você vai chamar? — Rebati, desafiando. — Minha mãe está em coma, meu pai está ocupado, todos os meus guerreiros estão tão exaustos quanto eu, e nenhum deles vai me contrariar… Eles já sabem como as coisas funcionam.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Eu vou chamar o Ben. O seu companheiro vai te obrigar.
Diante da situação, não reagi, nem podia… Afinal, ninguém além do Jax e do Dev sabia que ele era meu companheiro, ou pelo menos eu fingia que era assim, embora guerreiros fossem os maiores fofoqueiros que existem, então o rumor provavelmente já estava circulando. Mesmo assim, eu nunca confirmei nada pra ninguém. — E o que te faz pensar que ele é meu companheiro ou que ele teria qualquer influência sobre as minhas decisões?
— Vamos começar pelo jeito que você fica quando ele está por perto. Ele não te trata como uma "fêmea inútil" como alguns dos Alfas, Betas e guerreiros que passam por aqui. — Ela gesticulou enquanto falava. — E você não ignora a ajuda dele como faz com todo mundo. Quer que eu continue?
— Eu tenho um "jeito"? — Me recostei na cadeira, observando ela andar de um lado para o outro.
Foi nesse momento que ela riu. Riu de verdade.
— Tem sim, Alfa. Só não é aquele olhar apaixonado clichê. Você só parece mais segura quando ele está aqui, sua aura fica mais forte, mas não de um jeito desagradável ou opressor, só… Mais intensa. Faz sentido?
— Eu não sinto nada diferente de qualquer outro dia. — Respondi, confusa.
Ela parou por um instante, claramente recebendo um vínculo mental, e, logo depois, abriu um sorriso malicioso que me lembrou o Jax quando éramos crianças e estávamos prestes a aprontar alguma coisa.
— Então, vamos testar essa teoria? — Ela deu um passo para o lado da minha mesa, enquanto eu ainda tentava entender, até que a porta do escritório se abriu e o próprio entrou. Logo, virei bruscamente para ela.
Eu aceitei a mudança de assunto, pelo menos por enquanto, e apontei para o mapa na minha mesa, coberto de marcações, destaques, anotações e rabiscos, que tinha virado o nosso painel principal da investigação.
— A gente já foi até o extremo oeste, nas montanhas que fazem fronteira com a Alcateia do Diamante Branco. O Alfa Chase não viu nem ouviu nada, mas está de olho por causa da gente, já que existe um grupo do outro lado da cordilheira. Também tem um território neutro ao norte deles, na fronteira com Diamante Branco e Lua Azul, que se conecta com o meu lado noroeste. De novo, o Alfa Wess não viu nada, mas eles também não tiveram problemas nem motivo para procurar. Isso cobre todas as nossas fronteiras, e, pelo jeito, a informação de que estamos caçando já se espalhou, porque, desde que falei com esses dois, não vimos mais movimentação.
— E a caverna?
— Limpa. Eu levei curandeiros que conseguiam identificar melhor as substâncias, mas tudo tinha sumido… Ou pelo menos parecia ter sumido.
— Como assim "parecia" e como eles teriam tirado tudo dali? Aquilo estava cheio…
— É por isso que a gente acha que era uma ilusão. Se tem bruxas envolvidas, isso é totalmente possível. Eu nem consegui entrar, só olhar de fora, o que me diz que tem proteções ali. A gente se baseou em quem está espionando a minha alcateia e colocou algumas câmeras, além de incluir aquela área nas patrulhas. Ainda não vimos nada, mas isso não significa que eles não estejam usando o espaço ou entrando e saindo por outro caminho. — Passei as mãos pelo rosto e, quando tentei ajeitar o cabelo, acabei ficando presa nos fios. "Já nem sabia há quanto tempo não escovava…" Suspirei baixo e me ergui da cadeira. — Quanto tempo você vai ficar?
— Elara, sem ofensa, mas você está um lixo. Você precisa dormir.
— Eu não consigo dormir enquanto o desgraçado que envenenou a minha mãe ainda está solto. A gente continua recebendo informação, mas não chega mais perto de descobrir quem está por trás disso. — Caminhei em direção à porta, pois, por mais que eu quisesse discutir, eu realmente precisava pelo menos tomar um banho e me arrumar. Afinal, ninguém ia me levar a sério se eu estivesse tão acabada quanto o Ben dizia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...