(Ponto de Vista de Kennedy)
Recebi muitos olhares do grupo de guerreiros que se aproximava do campo de treino a partir dos carros, e até o Alfa Ryker parecia confuso com a minha comitiva. Ele foi mais discreto, no entanto, ficando atrás da própria picape enquanto bebia água.
Evitei contato visual com ele, porque ainda não sabia bem como me sentia em relação ao que tinha acontecido na noite anterior. Ainda assim, percebi o brilho do suor na pele dele e fiz o possível para não deixar meus pensamentos se perderem enquanto eu estava cercada por todas aquelas crianças.
— Você poderia passar para ver o nosso treino? — Emily perguntou, puxando minha atenção de volta para ela. — Quero te mostrar como eu sou boa. — Ela começou a socar o ar, encenando golpes.
Eu ri.
— Não sei quais são meus planos para o resto do dia, mas, se der, eu com certeza vou assistir você.
Ela envolveu minha cintura com os bracinhos e me abraçou, e eu retribuí. Depois, cumprimentei os garotos com soquinhos rápidos e me despedi enquanto eles voltavam na direção de onde tínhamos vindo.
— E onde você esteve a manhã inteira? A gente tentou falar com você. — Jeremiah me puxou para um abraço em forma de chave de braço, e eu sorri.
— Dei uma volta, acabei encontrando os filhotes, e joguei um pouco de futebol com eles. Você sabe como eu sou.
— Eu odeio quando você some assim.
— É, bom… Me integrem logo à alcateia, aí você pode me rastrear como faz com todo mundo. — Dei de ombros, escapando do abraço, e caminhei até a Greta.
No fim das contas, só ficávamos batendo na mesma tecla, sem sair do lugar. Um Ancião, uma vez, disse que não era seguro, e desde então ninguém sequer cogitava pesquisar se humanos eram capazes de suportar uma marca de alcateia. Ainda assim, ficavam irritados comigo se eu largasse o celular em algum lugar e não atendesse quando ligavam. E eu era péssima em levar o telefone comigo quando ia correr ou treinar, já que não vivia grudada nele, como a maioria dos humanos.
— Como assim, você foi sequestrada? — Greta parecia horrorizada.
— É. Por eu ser humana, alguns invasores acharam que eu daria menos trabalho como alvo. — Dei de ombros outra vez.
— E o que o Alfa Jeremiah fez com eles quando te encontrou?
Aquilo me tirava do sério. Exatamente aquilo, mais do que qualquer outra coisa, fazia meu sangue ferver. Nunca dava pra saber se era porque eu era humana, porque eu era mulher ou um pouco dos dois. No fim, a pergunta era sempre a mesma: "Como eles te salvaram?". Diante da situação, um rosnado baixo escapou de mim antes que eu conseguisse conter a frustração.
Meu rosto devia estar denunciando o quanto eu detestava aquela pergunta, porque Greta ergueu as sobrancelhas, esperando uma explicação, antes de me dar um tapa rápido, quase carinhoso. Pelo menos ela estava me deixando falar, sem preencher as lacunas com as próprias suposições…
— Ele não me achou nas mãos deles. Nem ele, nem os outros. — Rosnei entre os dentes cerrados. — Os invasores acharam que eu não ofereceria risco nenhum. Por isso, amarraram meus pulsos mal e porcamente, com uma corda velha. Quando um deles apareceu com água, eu chutei os dentes dele e finalizei estrangulando. Só um veio ver o que tinha acontecido, então fiz a mesma coisa. Por fim, o terceiro resolveu reagir. Ele conseguiu acertar alguns bons socos antes de eu derrubá-lo... Fiquei fora por dois dias, mas cheguei até a fronteira, onde os caras me encontraram. É delicado demais, então o assunto morreu ali.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...