(Ponto de Vista de Kennedy)
Diante da pergunta, meus olhos se arregalaram.
— Primeiro o quê? — Continuei desviando, certa de que eles conversavam entre si, embora aquilo não fosse assunto que a gente comentasse em voz alta como grupo.
— Isso! Eu sabia! Com quem foi o seu primeiro beijo?
— Mas… O quê?
— Não se faz de burra. Qualquer mulher viva e não marcada seria uma completa idiota por não aproveitar o que eles oferecem. Fora que você é linda, e eles com certeza perceberam. Com quem… Foi… O… Seu… Primeiro... Beijo?
— Jason. — Eu cobri o rosto, sem saber ao certo por que aquilo me deixava tão envergonhada de admitir, já que tudo tinha sido bom. Ele tinha sido incrivelmente doce comigo e, como se não bastasse, todo mundo também tinha estado presente naquela ocasião. — Mas foi só aquilo, durante um jogo de verdade ou desafio com garrafa. Nada que a gente realmente converse depois.
— E o Tommy? Ele não parece do tipo que para em beijo. Mas também não parece que você dormiu com ele. — Balancei a cabeça, negando, e ela abriu um sorriso malicioso. — Sim! Até onde você deixou ir?
— O que você é, uma leitora de mentes? — Disse, enquanto ela continuava me encarando esperando a resposta. Eu imaginei que fosse o sangue Alfa, porque ela demonstrava estar acostumada a obter o que queria, então, no fim, eu finalmente cedi. — O suficiente. Olha, a gente não fala sobre essas coisas, e eu não faço ideia do que eles já comentaram com o Jer. Eu não quero que ele fique estranho comigo se não souber e descobrir depois, nem que acabe brigando com eles, porque ele é superprotetor, caso você não tenha notado. — Encarei ela de novo e, em resposta, ela apenas levantou uma sobrancelha enquanto esperava, e a paciência dela se tornou um completo inferno. — Bom. Foi durante um jogo, por sete minutos, mas não significou nada... — Olhei para o meu colo, torcendo os dedos.
— Ah, mas é claro que significou! Olha a sua cara! Quantas vezes ele te fez gozar? Ele parece ser do tipo que não se contenta com uma só. E foram os primeiros da sua vida?
— Sério, isso é muito estranho. — Eu esfreguei o rosto com as mãos e, em seguida, ela me empurrou só de brincadeira, mas ainda assim quase me jogou para fora da cama.
— Quantas vezes? — O sorriso dela era contagiante, de tal forma que eu conseguia ver por que Jeremiah a amaria mesmo sem o vínculo.
— Duas...
— Em sete minutos? Usando o quê?
— Só a mão dele. — Dei de ombros, percebendo que seria inútil continuar segurando informações, e também era bom ter uma garota com quem conversar. — Também foi a primeira vez que veio de alguém que não fosse eu mesma. E sim, eu transei com o Ben. Eu não queria entregar minha virgindade para qualquer um e queria ter alguma noção de como tudo funcionava, e ele foi super gentil e paciente comigo. Ele não é exatamente pequeno. E, de novo, não sei se o Jer sabe. Provavelmente sabe, mas não é algo que eu costumo comentar.
— Que delícia! — Ela esfregou as mãos.
— Não chega nem perto do que eu acabei de ver lá embaixo. Ele por acaso esqueceu que tem mais gente morando aqui, ou isso é alguma coisa do vínculo de companheiro, como se vocês ficassem com tesão do nada e precisassem foder onde estiverem?
Eu estava meio que brincando, mas foi a vez dela de corar.
— Talvez seja um pouco dos dois. Eu não sabia que você morava aqui e, como os pais dele ainda estão na reunião e só voltam de manhã, eu não vi problema. Além disso, é meio difícil manter as mãos longe quando ele está por perto, você já viu ele... Você realmente fala com ele todos os dias? — Ela ainda estava corada, embora houvesse descrença na voz.
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— Sim, nós conversamos desde que eu era pequena, sempre trocando mensagem antes da escola e antes de dormir... Agora estudamos juntos e eu treino com eles, por isso passo praticamente todos os dias com quase todos os garotos.
— Toc, toc! Está seguro? Eu gostaria de poder ter filhos algum dia, Ken. — Minha porta se abriu uma fresta e meu melhor amigo apareceu ali, embora esperasse meu sinal para entrar.
— Estamos bem, Jer. A gente só precisou preencher algumas lacunas que você deixou porque é um idiota e deixou o seu pau pensar por você. — Ele soltou uma risada soprada e entrou com duas canecas, as colocou na mesa lateral e subiu na minha cama atrás da Rayna. — Trouxe chá, achei que isso podia ajudar um pouco, e como amanhã acordamos cedo, todo mundo precisa descansar.
Dava para perceber que ele também não resistia em tocá-la o tempo todo, e era encantador acompanhar o momento em que puxou a Rayna para perto, com o cabelo escuro dela emoldurando o rosto em formato de coração e contrastando com o cabelo loiro dele, até ela se aninhar no abraço.
— O que vão fazer amanhã? — Perguntei, confusa, pegando a xícara de chá. Era uma mistura que a curandeira tinha feito quando eu contei que ainda estava tendo pesadelos e nada mais estava funcionando.
— Nós vamos viajar para a minha alcateia para o Jeremiah conhecer meu irmão. Ele é o Alfa, mas estava lidando com outro assunto urgente, então meu pai e eu fomos à reunião no lugar dele.
— Eu fico feliz que tenha ido. — Ele roçou o nariz no pescoço dela e eu ouvi o lobo dele ronronar.
— Ok, por favor não transem no meu quarto. Vocês têm o de vocês para essas atividades extracurriculares. Jer… — Bati na perna dele. — Obrigada pelo chá, eu devo ficar bem. Os garotos já foram? Nem me toquei de dar tchau. — Tentei apressar os dois.
Por mais fofo que fosse, eu sabia que novos companheiros passavam de carinho leve para uma foda em questão de minutos, e isso não era algo que eu queria ver, mesmo que meu melhor amigo e a nova companheira dele fossem absurdamente atraentes.
— Não, estão todos na sala de mídia. A gente achou que seria mais fácil todo mundo sair daqui amanhã cedo.

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