(Ponto de vista de Ryker)
Quando ela desviou o olhar, não consegui evitar sorrir.
'Comporte-se, ouviu bem?'
'Do que você está falando? Ela literalmente pediu a minha presença. Neste momento, quem está ganhando sou eu.'
'Não se ache tanto, ela só se interessou porque você não poderia falar com ela.'
'Falar é uma coisa, se comunicar é outra, e isso eu ainda posso fazer.' A risada dele ecoou na minha cabeça enquanto nos transformávamos.
Ele soltou um respiro alto, tipo um aviso pra ela saber que a gente já tinha terminado e que podia abrir os olhos. Ela abriu devagar, piscando algumas vezes, tentando entender o que estava vendo: meu lobo.
— Nossa, você é enorme! — O tom entregou a admiração, por mais que ela resistisse. — Eu pensei a mesma coisa lá na floresta, só que estava tudo tão fora de controle que não sabia se estava imaginando…
'Viu só? Ela gosta mais de mim. Te chamou de pequeno e a mim de enorme!' Ele se vangloriou.
'Vamos ver quanto tempo isso dura. A sua obsessão por ela é muito maior que a minha.' Ele deu um passo cauteloso à frente.
'Observe e aprenda.' Continuou avançando devagar, um passo de cada vez.
Nem o tamanho do meu lobo, nem o vermelho intenso dos meus olhos causaram qualquer efeito nela. Mesmo os guerreiros mais cascas-grossas costumam recuar com isso, mas aquela humana só ficou parada, me encarando com curiosidade. Nenhum sinal de medo, nenhuma tensão no cheiro. Nada.
Assim que meu lobo tentou se aproximar do toque, ela puxou a mão de volta num reflexo rápido, como se tivesse finalmente percebido o que estava prestes a fazer, e ele deixou escapar um grunhido baixo. Em seguida, ela se deitou, levou o cobertor até o queixo e encaixou a mão sob a bochecha.
Sem nem pensar, meu lobo se enroscou ali no tapete, bem na frente dela. E antes que eu tivesse tempo de reagir, um arrepio tomou conta da gente e, do nada, toda a tensão desapareceu. Bastou o toque suave dos dedos dela para gente estremecer. Foi como se, de repente, tudo ficasse calmo e confortável.
— Boa noite. — Ela bocejou. — É… Para você também, Ryker. — O murmúrio sonolento dela foi o suficiente para minha mente simplesmente travar.
'Viu só? Ela precisa de nós.'
Passamos a noite inteira parados, sem dormir, sem nos mover. Meu lobo morria de medo de assustá-la, e eu estava simplesmente vidrado naquela sensação elétrica que o toque dela provocava. Era novo, intenso, viciante. Se toda vez fosse assim, não era surpresa nenhuma que companheiros não conseguiam se desgrudar. Sendo assim, o mais sensato era eu me policiar com o contato físico, porque aquilo tinha tudo para virar dor de cabeça.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...