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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 80

(Ponto de vista de Kennedy)

— Deixa eu pelo menos te levar de carro.

— O quê? — Lancei um olhar de canto para ele. — Agora nem andar eu posso mais? Porque, se isso for verdade, meu programa de treino vai precisar crescer, senão seu Alfa vai acabar com uma companheira obesa. Eu não fui abençoada com esse metabolismo fora da curva. Andar faz parte da minha vida. — Aquilo também não era verdade, e ele com certeza enxergava isso facilmente. Mesmo assim, eu só queria o mínimo de autonomia, decidir coisas simples, como o meio de transporte, sem ninguém interferindo.

No fundo, já estava me sentindo sufocada, e tinha passado apenas um dia, um único dia. Fazia alguns dias que eu não treinava em grupo, já que a tia Beth e a Rayna precisaram de mim para a cerimônia, e isso estava me deixando inquieta, com vontade de me mexer... Pensar nisso foi o suficiente para eu apressar o passo.

— Então agora você está com pressa? — Dava para ouvir o humor na voz dele enquanto me acompanhava sem esforço. — Acho que nunca conheci ninguém com tanta urgência para chegar à escola.

— Bem, considerando que as únicas coisas que me disseram foram "a gente tem que ir" e "arruma suas coisas", eu não faço ideia do que está acontecendo ou qual é a agenda do seu Alfa. Presumi que seria melhor resolver as minhas coisas rápido antes que alguém percebesse que eu também tenho vontades e necessidades que todo mundo prefere ignorar completamente. — Deixei o sarcasmo escorrer sem disfarçar. — Concluir a escola não está em discussão. Fazer minha graduação em administração também não. Eu sou uma pessoa, não uma posse, muito menos um bichinho de estimação.

— Lu…

— Se você gaguejar isso de novo, eu juro pela sua Deusa que vai perder dentes. Eu não sou Luna coisa nenhuma, sou humana. Ela só cometeu um erro, é isso. E quando todo mundo cair na real, o Ryker vai poder me rejeitar e a gente volta para o plano original.

— A Deusa não comete erros. — Comentou, com uma esperança quase palpável. — E não importa o que você diga ou o quão temporário ache que isso seja, agora você é a minha Luna. Assim que sairmos da alcateia do Jeremiah, você será chamada de "Luna" por todos os guerreiros que estão viajando conosco, e não há nada que você possa fazer a respeito. Nós não temos escolha, assim como você também não tem. Não fique com raiva, é um sinal de respeito. — Eu o vi me encarar pelo canto do olho enquanto fazia aquela declaração, e mantive o olhar fixo à frente. — Despeja essa energia toda em outra coisa. — Ele sorriu, e eu revirei os olhos.

A reunião com o diretor foi mais rápida do que eu imaginava. Ainda assim, ser a companheira do Alfa da Alcateia da Lua Sombria provavelmente acelerou tudo. Ele concordou com tudo o que pedi e disse que eu teria total cooperação dos meus professores. Disseram até que eu poderia me formar com a minha turma… Se o meu novo alfa permitisse que eu voltasse. "Idiota!"

Bennet continuou me encarando enquanto a gente andava em silêncio, carregando aquela resposta não dita entre nós. Ele sabia que eu estava esperando, mas eu não ia puxar assunto. Até que, no final, ele cedeu com um suspiro.

— Certo, contando comigo, sua escolta é formada por cinco guerreiros.

— O tempo todo ou só quando estamos fora assim?

— Não é realmente um grande problema. Isso é bem padrão.

— Não é, não. A sua alcateia é grande, a nossa é pequena. A Beth sai com o Gama para coisas simples na cidade e leva dois quando passa o dia fora, a menos que esteja com o tio James. Eu nunca me importei muito com esses detalhes, porque não eram sobre mim. E sempre andei com guerreiros, só não como alguém que precisa ser protegida. Não vejo por que eu não poderia perguntar. — Dei de ombros quando chegamos ao café, e ele segurou a porta para mim. — Principalmente se esperam que eu "aja como uma Luna", quando eu nem faço ideia do que isso significa na prática.

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