Ela escolheu um conjunto de roupas largas, que ajudava a disfarçar um pouco a barriga.
Dirigiu até o Solar dos Monteiro.
Foi a primeira vez que Flávia voltou ao Solar desde o banquete de aniversário.
Dona Maíra pegou a mão de Flávia e perguntou: — A sua avó ainda está brava?
Flávia hesitou por um momento, lembrando-se do que havia acontecido no banquete. — Não, a Dona Irene não está brava.
— Que bom, que bom — Dona Maíra ficou aliviada.
Passos soaram na escada. Flávia nem precisou virar a cabeça; só pelo som já sabia que era Valentino.
Afinal, ela tinha ouvido aqueles passos vezes demais, esperado vezes demais.
Ela não se virou.
— Patrão, está na hora de passar a pomada. — A empregada chegou com a pomada para queimaduras.
Os olhos da Dona Maíra correram pela sala. — Flávia, vá passar a pomada no Valentino.
— Esse menino apareceu todo queimado sem explicação, e por mais que eu pergunte, ele não conta o que aconteceu.
Ele obviamente não podia contar.
Dona Maíra detestava Heloísa ao extremo.
Se a senhora descobrisse que Valentino se machucou para salvar Heloísa, sua pressão arterial iria disparar.
— Tudo bem — Flávia aceitou.
Se ela não aceitasse, Dona Maíra não desistiria e encontraria qualquer desculpa para deixá-la a sós com Valentino.
Era melhor aceitar de uma vez.
Valentino foi o primeiro a subir as escadas, e Flávia o seguiu.
Os dois entraram em um quarto no segundo andar.
Valentino desabotoou a camisa sem pressa e a tirou, revelando seu corpo musculoso.
Os cílios de Flávia tremeram. O homem à sua frente tinha os músculos do abdômen bem definidos, ombros largos e cintura fina, formando a linha em "V" perfeitamente desenhada.
Ela deu apenas uma olhada e logo virou o rosto para desviar o olhar.
O problema é que o que ela acabou de ver não saía da sua cabeça.
Valentino sentou-se no sofá e suas costas firmes apareceram no campo de visão de Flávia.

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