Na manhã do dia seguinte.
— Senhora. — A voz doce de Nina chegou da porta.
— Nina. — Flávia desceu da cama. — Como você veio parar aqui?
— Ela ouviu que você se machucou e fez a maior birra para vir te ver. — Arthur Mendes explicou, rindo.
— Senhora, se eu assoprar a ferida, não vai doer mais.
Duas mãozinhas fofas pegaram a mão de Flávia. Olhando para baixo, a menina estava com as bochechas infladas, se esforçando para assoprar.
O coração dela amoleceu.
— Obrigada, Nina. Eu já não sento dor. — Ela puxou a garota para sentar. — Agora eu não posso te levar ao shopping para passear. Quando a senhora melhorar, eu te levo ao parque de diversões, tá bom?
— Hum. — A cabecinha assentiu com força.
O ar de outono estava bem refrescante.
Flávia desceu com Nina para catar folhas.
— Nina, olha só esta folha de ginkgo. Não parece um coração?
— Uau, que linda!
Os olhos de Nina brilharam, e Flávia entregou a folha para ela: — Para você.
— Obrigada, senhora.
Mesmo que estivessem apenas catando folhas, as duas se divertiram a valer.
Nina recolheu várias folhas bonitas de ginkgo e as entregou para Flávia, que as pegou sorrindo.
Aproveitando que ela estava empolgada na brincadeira, Flávia foi para o lado de Arthur: — Quanto deu a conta do hospital? Eu te transfiro.
Arthur até quis dizer que não precisava, mas sabia que, com o jeito de Flávia, ela jamais aceitaria.
— Eu te mando o recibo depois.
— Tá. — O olhar de Flávia pousou na menina toda alegre. — Foi você quem fez o Sr. Diniz me pedir desculpas. Obrigada.
Uma surpresa passou pelo rosto dele: — Como você soube?
— Eu perguntei para o Rafael e não foi ele. Então o único que sabia sobre isso era você.
— Eu te devo um favor. Sempre que precisar da minha ajuda em alguma coisa, é só me ligar.
Arthur concordou. O celular dele tocou do nada. Ele abaixou os olhos para ver e disse: — Vou atender o telefone.
— Tá.
Ao ver que ela assentiu, ele foi até a sombra de uma árvore e atendeu.

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