Uma tensão pesada pairou no ar entre os dois.
Os dois se encararam, nenhum querendo dar o braço a torcer.
Bem nessa hora, Flávia caminhou até eles de banho recém-tomado, vestindo roupas de ficar em casa. — Rafael, quem tá aí...
Quando ela viu quem estava na porta, a doçura nos seus olhos desapareceu, dando lugar à indiferença.
— O que você veio fazer aqui?
Valentino levantou a mão e entregou a caixa de presente. — É para me dar no dia do nosso aniversário de casamento.
Flávia o pegou com os olhos parados. — É só um presente, você não precisava se deslocar até aqui para isso, era só mandar entregar.
Valentino era inteligente, impossível não entender as entrelinhas da mulher.
Como esperado, o rosto do homem escureceu, e pelo canto dos olhos ele avistou dois conjuntos de pratos e hashis na mesa de jantar, fazendo com que o frio tomasse conta do seu rosto.
— Atrapalhei vocês?
— Ainda bem que você sabe.
— Sr. Monteiro, a entrega foi feita, então não vou te convidar para ficar pro jantar. — Rafael disse isso e esticou a mão para empurrar Valentino.
Valentino virou o corpo de leve para desviar do toque, seus olhos indiferentes indo de Rafael para Flávia e vice-versa.
— Que a vovó não fique sabendo de certas coisas.
— Entendi. — Flávia foi superficial.
Ela puxou Rafael para dentro com a mão.
E no segundo seguinte, bateu a porta sem hesitar.
— Bam.
A porta se fechou na cara de Valentino.
Dentro da sala de estar.
Flávia e Rafael estavam sentados à mesa, um de frente pro outro.
O clima estava estranhamente pesado.
— Eu fiz todas as coisas que você gosta hoje. Vê se a minha técnica piorou.
Rafael usou os hashis para pegar um pedaço de costela para Flávia e jogou na tigela dela.

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