Se Fátima soubesse que ela estava se mudando, com certeza contaria para a Dona Maíra.
Ela não queria complicações desnecessárias, então simplesmente mentiu.
Flávia fechou a mala, puxou o zíper e ergueu a mão para puxá-la.
Vendo isso, Fátima apressou-se para pegar as outras duas malas.
Para cuidar melhor do marido, a senhora raramente viajava a trabalho, e todas as vezes era junto com ele.
Talvez desta vez o casal estivesse viajando a trabalho junto.
As duas desceram para o andar de baixo.
Flávia levou o carro até a porta, e Fátima ajudou a colocar as malas no porta-malas.
— Senhora, cuide-se bem na viagem. — Fátima recomendou.
— Fátima, cuide da sua saúde também. — Flávia deu um longo olhar para a gentil Fátima.
O olhar de Flávia despertou uma sensação de inquietação em Fátima.
Por que o olhar da patroa parecia um adeus definitivo?
Quando ela olhou de novo, Flávia já havia entrado no carro.
Fátima sorriu. Aquela era a casa da senhora, como ela poderia ter essa impressão errada?
Flávia dirigiu até o Edifício Aurora. Era uma propriedade que a família Viana havia comprado para ela antes do casamento.
Era o melhor presente que a família Viana conseguiu lhe dar.
Ficava perto da Galeria Noir, e havia supermercados, hospitais e metrô nas redondezas, sendo muito conveniente.
Ela subiu e abriu a porta com a digital.
Já havia pedido para limparem com antecedência, então a casa estava bem limpa.
—
Meio-dia.
— Esta é a Diana, ela vai assumir o seu trabalho. — Vicente e Diana estavam parados ao lado da mesa de Flávia.
Diana era muito bonita e tinha um corpo atraente. Ele duvidava que ela ousasse permitir que uma mulher tão destacada ficasse ao lado do Sr. Monteiro.
Flávia se levantou e foi a primeira a estender a mão para Diana. Sua expressão era amigável, como se fosse apenas uma colega de trabalho comum.
Dona Maíra pegou uma pintura na mesa ao lado, entregou a ela e fez sinal com um sorriso para que abrisse.
Flávia pegou a pintura e a abriu com cuidado.
Para deixar Dona Maíra tão alegre, talvez fosse o quadro de algum mestre famoso, ou até uma obra extinta.
A pintura não era grande e logo se desenrolou diante de Flávia.
A Pintura da Maternidade Sagrada.
Deus olhava para o bebê nos braços com carinho.
O bebê menino usava um avental vermelho, e no pescoço carregava um colar dourado que simbolizava uma vida longa e centenária.
A bebê menina tinha o cabelo preso em pequenos coques adoráveis, usava franja reta, e seu rostinho redondo exibia um tom avermelhado, parecendo extremamente fofa.
Por muito tempo, Flávia desejou intensamente ter um filho com Valentino.
Agora ela tinha uma criança, mas não era bem-vinda nem esperada.
Pensar em abortar essa criança causou nela uma leve tristeza.
No entanto, uma criança que não era amada nem abençoada pelo próprio pai teria que passar a vida se escondendo. Mesmo sendo filha da esposa legítima, precisaria ser cautelosa em tudo, chegando a ser inferior ao filho da amante.

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