Vestindo o roupão, Flávia se sentiu muito mais segura.
Após os cuidados com a pele, deu uma olhada no celular. Ainda era cedo.
Como não estava com sono, pegou um livro, recostou-se na cabeceira e começou a ler.
Fosse lendo ou trabalhando, quando ela se concentrava, esquecia de tudo à sua volta.
Ela nem percebeu que Valentino havia aberto a porta do quarto.
— Por que você pediu demissão? — A voz grave do homem chegou aos seus ouvidos, e Flávia ergueu a cabeça de repente.
Só então ela notou Valentino ali.
Ao ver sua expressão confusa, Valentino ergueu uma sobrancelha.
O fato de ele nunca ter imaginado que ela se demitiria apertou o coração de Flávia.
O episódio em que Valentino foi dopado não tinha sido um plano dela.
A relação entre os dois de fato começou por um acidente.
No começo, ela não queria usá-lo ou ameaçá-lo.
Mas então a família Viana correu o risco de falência. E se fechassem as portas, precisariam pagar centenas de milhões em dívidas!
Isso seria o fundo do poço para os Vianas.
Na época, a única salvação para a família era Valentino. E para livrar a família do abismo, ela procurou a família Monteiro, revelando o acidente daquela noite à Dona Maíra.
Foi por isso que se casaram.
— Eu nem sou dessa área, afinal.
Ela usou influências para entrar no Grupo Monteiro, pois só possuía graduação.
No Grupo Monteiro, qualquer um, no mínimo, tinha mestrado. Ela simplesmente não cumpria os requisitos para o cargo.
Valentino só aceitou que ela se tornasse sua secretária por pressão de Dona Maíra.
No início, pensou-se que os dois estarem na mesma empresa e chegarem sempre juntos aumentaria, pelo menos, a convivência e a afeição.
Mas Valentino não deixava ela se aproximar, impedia sua entrada no escritório e raramente a levava para as festas e jantares de negócios da empresa.
Valentino assentiu com a cabeça e encerrou as perguntas.
Como se aquela questão fosse apenas uma curiosidade passageira.
A boca de Valentino desenhou um leve sorriso sem humor e sua voz ficou frígida. — Aguente.
Ele prendeu com extrema força as mãos de Flávia, puxando-as acima da cabeça dela. Esse gesto colou seus corpos e ambos sentiram o forte calor da pele de quem estava embaixo.
Flávia ficou apavorada. Tinha muito medo que, no meio daquela agressão, Valentino machucasse o bebê dentro do seu útero.
Levantou a perna para chutar o marido, mas ele já havia previsto, desviando com extrema facilidade.
"Ring ring ring..."
Valentino avaliou a chamada no ecrã. Em seguida, soltou-a, levantando-se.
— Alô.
Flávia conseguia ouvir perfeitamente a voz aveludada de Heloísa emergir da ligação no aparelho.
Sem dar a mínima do que falavam do outro lado da linha, o rosto de Valentino mostrou estresse imediato, pressionando os lábios.
— Espera aí, estou indo agora.
Ao dar a última palavra, o homem nem sequer virou para se despedir, retirando-se.
Um perfume amadeirado frio exalava imperceptível nas pontas das narinas de Flávia, deixado para trás no rastro do homem.

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