Virou-se para descer as escadas, e o som dos passos dele soou sem pressa atrás dela.
Ao descer, Flávia acelerou os passos; quem visse acharia que havia um cachorro correndo atrás dela.
Valentino deu uma olhada indiferente para as costas dela.
Flávia sentou-se à esquerda de Dona Maíra, sem prestar atenção nele.
Valentino puxou a cadeira para sentar de frente para ela.
— Não tem lugar ao lado da Flávia? — Dona Maíra franziu a testa, descontente.
Valentino não respondeu, colocou a cadeira de volta no lugar, mudou a direção e sentou-se ao lado de Flávia.
Se fosse antes, ela teria ficado ansiosa de emoção.
Depois de ver o cuidado dele com Heloísa, ela não sentia mais nada, restando apenas a calma.
Valentino olhou para a comida e falou num tom sugestivo: — Vovó, isso aqui vai acabar dando problema de tão forte.
Flávia não entendeu e olhou também. Só então percebeu que pratos afrodisíacos para homens ocupavam a maior parte da mesa.
Ela apertou os lábios. Sabia que a avó queria ajudála a usar uma criança para prender Valentino ao seu lado.
Pena que Dona Maíra não sabia que ele já tinha engravidado Heloísa!
— Bobagem! — O rosto de Dona Maíra fechou. — Não comemos isso todo dia, não vai ter problema.
Valentino calou-se e não tocou naqueles pratos.
Se ele não comia, a avó não podia fazer nada além de ficar olhando.
Vendo que o plano falhou, ela tentou outro: — Valentino, sirva comida para a Flávia.
Quando Flávia ia dizer que não precisava, um pedaço de peixe sem espinhas apareceu no seu prato.
Vendo que ele colaborava, Dona Maíra sorriu com os olhos. Um homem bonito e uma mulher bonita pareciam feitos um para o outro.
O filho com certeza herdaria os traços superiores dos pais; só de pensar já ficava feliz.
Dona Maíra riu animada.
Depois disso, bastava a avó olhar para ele e ele servia Flávia de forma automática.
Durante todo o jantar, ela não precisou se servir de nada.
O que estava no seu prato já era o suficiente.
Por coincidência, ele serviu tudo o que ela gostava de comer.
Lembrou-se de agora há pouco, que ele não queria nem ficar na mesma sala que ela.
Supôs que estivesse no escritório. O escritório tinha uma cama; era pequena, mas dava para dormir.
Ele não voltaria para dormir ali.
Deixou as caixas na penteadeira, pegou a de cima e foi para o banheiro.
Eram só roupas de dormir, bastava usar.
Depois do banho, abriu a caixa e viu a roupa dentro.
Flávia ficou com o rosto vermelho.
Chamava de roupa de dormir, mas tinha pouquíssimo tecido.
Mal cobria as partes íntimas, e ela não tinha trazido outra roupa quando entrou.
Olhou ao redor, pegou o roupão no gancho e vestiu.
Ia se divorciar, por que vestir algo tão sexy?
Não havia necessidade.

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