Arthur demonstrou surpresa no olhar.
Como havia perdido os pais muito cedo, Alice era muito mais sensível e tímida do que as outras crianças.
Nunca se aproximava de ninguém por vontade própria, muito menos pedia coisas.
Ao que parecia, ela realmente gostara muito daquela moça.
Arthur examinou o colar; era da Hermès e devia custar cerca de cem mil reais.
— Da próxima vez que virmos a moça, você devolve o colar a ela, pode ser? O papai compra um novo para você. — Arthur acariciou os cabelos macios da filha, tentando convencê-la.
— Não. — Alice pegou o colar das mãos dele, seus olhos escuros demonstrando desconfiança.
— Certo. Então, da próxima vez que virmos a moça, o papai compra dela para você.
— Obrigada, papai.
Cinco horas da tarde.
Flávia saiu da Galeria Noir e dirigiu de volta para a casa dos Viana.
Enquanto aguardava o semáforo em um cruzamento, viu pelo canto do olho os operários trabalhando do lado de fora do Shopping Laranjeiras e suas feições ficaram frias.
Quando o sinal abriu, Flávia pisou no acelerador.
Augusto e sua avó, Dona Irene, estavam na casa.
— Tio Augusto, avó. — Flávia abriu um leve sorriso: — Olhem isso.
Ela abriu a caixa e a colocou em cima da mesa.
— O que é isso? Por que tanto mistério? — perguntou Augusto, abrindo a pintura.
Ao verem a pintura, Augusto e Dona Irene ficaram paralisados.
Os olhos da avó se encheram de lágrimas, e ela esticou a mão direita cheia de rugas para tocar gentilmente o desenho. Seus lábios tremiam.
— Esta pintura foi feita por seu avô. Seu tio adorava animais quando era criança, então ele a pintou.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mestre Restauradora e Sua Filha Secreta