“Você também poderia recusar, eu não estava te forçando. Três dias para pensar. Se concordar, nos encontramos para assinar o contrato; se não concordar, não precisa mais me procurar. Quando o prazo acabar, eu saberei naturalmente.”
Ele demonstrava pouco entusiasmo.
O tom de voz era indiferente.
Estefânia permaneceu em silêncio.
Sentiu-se humilhada, como alguém forçado a abaixar a cabeça diante das circunstâncias.
Péricles desligou o telefone.
O som de linha ocupada ressoou no ouvido.
……
Péricles era um empresário.
Dez por cento das ações do Grupo Moreira, embora longe de valer bilhões, já lhe garantiam o controle absoluto das decisões.
Ele conhecia profundamente as artimanhas do mundo dos negócios.
Mas Estefânia não tinha escolha.
No último dia do prazo, ela foi encontrar-se com Péricles.
Ele não lhe dirigiu a palavra, apenas pediu a Caio que preparasse o contrato.
O tempo estava ruim.
O ambiente interno era sombrio.
Ele afrouxou a gravata, pegou o copo para beber um pouco de água e percebeu que estava vazio.
Devolveu o copo à mesa.
“Pelo menos, mostrar respeito ao credor é uma questão básica de educação,” ele disse.
Estefânia ergueu os olhos para ele. “Espero que não tenha sido você quem armou tudo isso.”
“Eu já disse que você poderia recusar.”
“Mas você sabe que eu não posso recusar, ninguém vai me ajudar.” Ela sentiu-se profundamente injustiçada, os olhos vermelhos, quase chorando.
Péricles lançou-lhe um olhar indiferente, depois levantou-se e foi até a janela panorâmica, onde acendeu um cigarro.
A fumaça subia devagar.
Bastou um sopro de vento vindo da janela para dispersá-la.
“Entre as pessoas, tudo se resume a isso: ou falam de dinheiro, ou falam de sentimentos. O que será discutido depende do que o outro precisa.”
O olhar da mulher tornou-se ainda mais sombrio.
Como ela poderia não entender aquilo?
O mundo era realmente frio e impessoal.

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