Quando Estefânia acordou, estava no hospital.
À sua frente, estavam os rostos ansiosos de Helder e Adriana.
Havia preocupação, mas também o alívio de terem sobrevivido a um desastre.
“Está tudo bem agora, graças a Deus,” Adriana disse com os olhos marejados, a voz embargada.
Helder estava igualmente comovido.
Ela tinha sido salva.
Ainda estava viva.
“Pai, mãe...” Estefânia esforçou-se para se sentar, ainda assustada. “O depósito pegou fogo de repente, ficamos presos lá dentro. E agora, lá fora...”
“O incêndio já foi controlado, tudo passou, não precisa ter medo,” Helder, vendo as queimaduras na perna da filha, sentiu-se culpado e pediu desculpas. “A culpa foi minha, deixei você passar por isso.”
“Pai, não diga isso, estou bem.”
Ter seu pai libertado, isso sim era o maior alívio.
E quanto a Péricles?
“Pai, e o Péricles...?”
“Ouvi o Caio dizer que ele já viajou a trabalho para o exterior. Desta vez é um novo projeto do Grupo Rodrigues, deve demorar alguns meses para ele voltar.”
O coração de Estefânia ficou em paz.
Ainda bem que estava tudo bem.
Do momento em que foi internada até a alta hospitalar,
Estefânia não viu Péricles, nem mesmo Caio.
Quando voltou para casa,
Gabriela entregou-lhe uma encomenda.
“Senhora, chegou uma encomenda para a senhora.”
Era um envelope.
Assim como aquele que ela enviou a Péricles quando deixou Maravilha Azul anos atrás, era exatamente o mesmo tipo de coisa.
Ela já imaginava do que se tratava.
Segurou o envelope entre os dedos, demorando muito para abri-lo.
O que tinha que acontecer, aconteceria.
Fugir não era solução.
Abriu o envelope.
Ela sorriu.
Era mesmo um acordo de divórcio.

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