Leonel olhou para ela com um olhar compreensivo e disse: “Realmente evitaria muitos problemas. Até mesmo um eventual processo de divórcio seria bem mais tranquilo. Você fez certo.”
“Dr. Carneiro, eu realmente lhe causei muitos incômodos nesse período.”
Ele sorriu levemente. “Não se trata de incômodo. Você não deixou de me pagar.”
Apesar das palavras dele, ainda assim, ela sentiu que devia agradecer.
Os dois permaneceram em silêncio.
Cada um lidando com seu próprio constrangimento.
Naquela noite, o foco estava sobre Bernardo, Miguel, Péricles e os demais membros da família Rodrigues.
Ninguém prestou muita atenção ao fato de Leonel e Estefânia estarem conversando juntos.
“Você acha que Daniela virá hoje?” Estefânia perguntou de repente a Leonel. “Você conhece Péricles desde jovem, deve saber como ele é. Acha que isso pode acontecer hoje?”
Na opinião de Leonel, Péricles sempre soube se portar adequadamente.
Em uma ocasião tão importante, se ele trouxesse Daniela, a família Rodrigues certamente se revoltaria.
“Não virá.”
Estefânia arqueou levemente as sobrancelhas. “Tem tanta certeza?”
“Mesmo que ele não se importe com o que você sente, certamente não desejaria causar um infarto ao próprio avô.”
Diante desse argumento, Estefânia reconheceu que fazia sentido.
O homem sorriu, amável e sereno.
Em sua vida anterior, ela sequer lembrava da aparência dele.
Quando ele teria começado a gostar dela?
Seria mesmo amor?
Ou talvez piedade?
Afinal, ver uma jovem cheia de vida morrer diante de si certamente tocaria qualquer um.
“Com licença, Dr. Carneiro, preciso ir ao banheiro.”
“Claro.”
A animada festa de aniversário se tornara, de repente, sufocante.
Estefânia foi até o jardim, respirando profundamente o ar fresco.
Antes de Daniela aparecer, em todos os anos, nos grandes eventos da família Rodrigues, Péricles sempre a conduzia pela mão. Onde ele fosse, ela o seguia.
Naquela época, todos elogiavam a sorte de Péricles por ter se casado com uma mulher tão bela quanto ela.
“Espere mais um pouco.”
Mal ela terminou de falar, seguiram-se sons de beijos e o roçar de roupas.
Estefânia cobriu a boca, recuando em passos curtos.
Meu Deus, acabara de descobrir um segredo impressionante.
Havia três anos desde que se casara com um membro da família Rodrigues.
Nunca soubera que Mariana, sua sogra, não era a mãe biológica de Péricles.
E a mãe verdadeira de Péricles? Teria morrido?
E quem seria o homem com quem Mariana estava tendo um caso?
Miguel sabia da infidelidade de Mariana?
“O que está fazendo aí, toda escondida?” A voz de Péricles soou atrás dela.
Estefânia gritou de susto. “Quando você chegou?”
Ela olhou para o rosto calmo à sua frente, com os olhos trêmulos.
Por que ele nunca lhe contara nada sobre sua mãe biológica?

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