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A Noiva Rejeitada do Alfa romance Capítulo 25

Assim que vi o carro de Alina seu aproximando um incomodo me atingiu, eu não gostava que ela ficasse próxima aos anciões, eles não a suportavam e culpavam por nossa união, mesmo que ela fosse tão vítima disso tudo quanto eu.

Alina desceu do carro e marchou, nem mesmo Leon que ela tanto gostava, foi capaz de pará-la. Mas nada me preparou para o choque que me atingiu como um soco no estômago quando ouvi as palavras dela ecoarem pelo ar, carregadas de uma fúria que eu nunca imaginaria que pudesse vir dela.

— Como pode, Kaian? Como pode destruir a casa onde eu cresci? — O som da voz dela magoada e cheia de traição, fez meu lobo rosnar dentro de mim, um som baixo e primal que reverberou em meu peito.

Ele a reconheceu como sua mulher, aquela era a companheira dele, feroz, destemida, me enfrentando com os olhos verdes faiscando de raiva. Mas a confusão também me consumia, ela não podia ser minha companheira, era impossível que uma humana fosse companheira de um lobo, muito menos de um alfa.

Meus olhos percorreram seu rosto e então eu entendi do que ela estava falando, Alina queria saber da casa de seus pais, enquanto me encarava com fúria esperando uma resposta que eu não sabia como dar.

A verdade é que eu não queria ter feito aquilo. Não queria que a casa dela fosse reduzida a escombros, mas os anciões insistiram, afinal era a casa de um humano, onde vários deles viveram ao longo dos anos e não deveríamos ter em um terreno que agora nos pertencia. Eu me convenci de que era necessário, que as novas famílias da alcatéia precisavam de espaço, era apenas uma questão prática.

Mas agora, vendo ela me olhar como se a tivesse traído, machucado, eu soube que deveria ter adiado. Meu lobo se sacudiu dentro de mim, querendo arrancar aquela tristeza dos olhos dela, porque ver a tristeza em seu rosto era ruim, mas ser o culpado por isso me rasgava por dentro.

Antes que eu pudesse responder, um dos anúncios deu um passo à frente, atraindo a atenção de Alina.

— Não é mais sua casa, garota. As terras são nossas agora, fazemos o que quisermos com elas.

A anciã Lirien, com seus olhos frios e cabelos grisalhos, riu alto sem se importar com a educação, ela não ligava para o que os humanos pensavam dela.

— Esqueceu que nada mais lhe pertence mais? Não tem nada seu em nenhum lugar dessa terra, na verdade não tem nada seu no mundo, humana.

Meu lobo rugiu e eu fechei os punhos para segurar o que eu queria falar, não era bom começar uma briga com meu povo por uma humana, mesmo que eu quisesse muito calar cada um deles.

Alina abriu a boca em choque e eu pude ver seu queixo tremendo levemente, mas então ela semicerrrou os olhos, deixando que sua raiva crescesse, dando lugar a uma determinação fria que se apossou de seu rosto enquanto ela os encarava.

— Vocês estão certos. Não tenho mais nada meu aqui, não tem nada para mim aqui. — ela disse com a voz firme apesar da dor antes de me encarar e eu me vi congelado, lutando contra o desejo de mandar os anciões se foderem, se eles não fossem quase sagrados para meu povo isso já teria acontecido, mas desrespeitá-los por uma humana, uma que eu jurei não ter nenhum interesse, seria como começar uma guerra com meu próprio povo. — Eu quero o divórcio!

Alina jogou a bomba como se não fosse nada e cruzou os braços, com o queixo erguido como se desafiasse qualquer um a negar o que ela queria. Mas eu estava em choque, aquela palavra trouxe um tempestade de emoções dentro de mim, até mesmo meu próprio lobo parecia querer me matar.

— O quê? — foi tudo o que consegui colocar para fora enquanto lutava contra mim mesmo. Meu lobo uivou, um som de desespero e fúria, mas à minha volta os anciões riram não levando as palavras dela a sério, o deboche ecoando pela margem do lago.

— Você acha que é fácil assim? Que pode simplesmente se divorciar?

— Quem dera que fosse simples assim se livrar de você. — Lirien semicerrrou os olhos, a voz gélida. — Kaian já teria feito isso!

Minha raiva explodiu, um rugido subiu pela minha garganta atraindo o olhar deles e os calando no mesmo instante que meu lobo quase me dominou. Eu poderia ter cogitado me separar quando Duncan propôs o acordo, mas desde o momento em que aceitei a cerimônia soube que não havia volta. E depois de provar sua boca, seus gemidos e seu doce sabor, a ideia de perdê-la era insuportável.

Eu queria mais do que podia admitir, mesmo para mim mesmo.

— Vocês não me querem aqui tanto quanto Kaian não me quer — Alina continuou parecendo alheia à energia de alfa que emanava mantendo os outros em alerta. — Não vejo razão pra continuar com isso!

Ela se virou marchando pelo caminho que tinha feito e deixei que meu instinto tomasse conta. Não ia deixá-la pensando que eu queria aquilo, que íamos nos separar. Ela era minha, por mais que eu lutasse contra isso!

Corri atrás dela, agarrando-a pela cintura antes que alcançasse o carro.

— Não tão rápido, coelhinha! — rosnei jogando-a sobre meus ombros ignorando os protestos dela e os punhos batendo em minhas costas enquanto tentava se livrar.

— Me coloca no chão, Kaian! Que merda é essa? — ela gritou batendo com mais força, ignorando os olhares dos anciões e de Leon, que tentava se aproximar, e andei até meu carro, abrindo a porta colocando ela no banco do passageiro.

O olhar de Alina queimou sobre mim enquanto eu atava seu cinto com mais força do que deveria, me certificando que ela estivesse presa antes de bater a porta com um estrondo e correr para o lado do motorista. Ela não disse uma palavra, virando o rosto para a janela enquanto eu colocava o carro em movimento, o silêncio entre nós pesado como chumbo.

Minha mente e meu coração estavam em guerra, uma parte gritava para ser racional, explicar tudo sobre a demolição, a pressão dos anciões, o meu dever para com meu povo. Mas outra, uma mais urgente, exigia que eu a marcasse como minha, que a tomasse até que ela esquecesse qualquer ideia de divórcio, de me deixar.

Uma aura sombria tomava conta do meu corpo ao mínimo pensamento de perdê-la para sempre, nunca mais ver seu rosto, sentir seu perfume. Meu estômago se embrulhou de um jeito estranho e um peso sufocante no peito tornando até difícil respirar.

Que porra é essa? Agarrei o volante com mais força tentando ignorar o sentimento. Por que me sinto assim se não tivemos nada? Eu não deveria me sentir tão ligado a ela, tão unidos como se perdê-la fosse minha ruína. A não ser que… uma humana pode ser minha companheira? A lembrança do que senti na lua de mel me invadiu, me fazendo lembrar da atração latente, a necessidade gritando dentro de mim para não parar de beijá-la, tocá-la, não me afastar até reivindicá-la.

Nunca tinha ouvido falar de uma humana companheira, e a ideia me assustava e me atraía ao mesmo tempo, Alina seria uma ótima companheira para outro, mas para um alfa? O que a deusa da lua estava querendo com isso?

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