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A Noiva Rejeitada do Alfa romance Capítulo 40

Acordei com o lado da cama vazio e frio, o silêncio do quarto me golpeando como um eco cruel. Os três dias com Kaian foram perfeitos, mas agora pareciam apenas um sonho distante, eu fui tola de achar que tudo mudaria, enchi meu coração com as palavras que ele dizia, com seus toques, beijos apaixonados, toda a atenção que ele me dava. Mas quando a lua foi embora a frieza dele voltou, bastou que Kaian saísse uma vez de casa para que o homem atencioso, apaixonado e cheio de desejo fosse embora.

Kaian tinha voltado a me evitar, mesmo que ainda dormisse na mesma cama que eu, que me desse alguns toques furtivos como se não conseguisse ficar longe. Mas as nossas conversas voltaram a ser curtas e ele voltou a passar mais tempo fora de casa.

Eu sabia que aqueles dias foram reais, tudo o que senti foi real e Kaian se permitiu abrir comigo, me deixando ver um lado sensível que eu não tinha visto naqueles dois anos de casados. Não podia ser só a lua de sangue.

Foi esse pensamento que me fez tomar uma decisão, eu não podia desistir de nós depois de tudo o que tivemos naqueles três dias. Me segurando a esperança com unhas e dentes eu ia mostrar a Kaian que o que podíamos ser tão bons juntos fora de casa também.

Preparei o almoço com cuidado, fazendo tudo com atenção e amor antes de ir até a sede, ignorando os olhares e resmungos enquanto eu passava, todos podiam dizer o que quisesse eu não me intimidaria por eles. Kaian disse que eu era sua mulher e era isso que eu seria, não importava o quanto os outros dissessem o contrário.

Assim que entrei no prédio, a secretária se levantou da mesa me olhando com os olhos dourados semicerrados, mirando meu corpo de cima a baixo.

— O que você quer aqui, humana? O alfa está ocupado. — Mira disse cruzando os braços, se sentindo confiante em me intimidar. Eu não podia culpá-la, eu só tinha estado ali uma vez com Leon e sempre que falavam comigo eu baixava a cabeça, mas isso não aconteceria dessa vez.

— Eu trouxe o almoço dele…

— Você? Não tem direito de pisar nesse lugar. Vai embora antes que envergonhe ele mais ainda.

A raiva subiu por meu corpo, fazendo meu rosto queimar, mas eu escolhi ignorá-la. Passei por ela indo direto para a sala dele que ficava logo atrás, e sem pensar duas vezes abri a porta, invadindo o escritório.

A atmosfera imponente do lugar me pegou desprevenida e eu olhei em volta, vendo os anciões sentados, me encarando com raiva, desprezo, mas então lá estava Kaian, atrás da mesa com uma postura dura e altiva.

Os olhos dele se ergueram rapidamente, parecendo surpresos enquanto iam de mim para as pessoas a sua frente, que torciam os narizes e franziam os lábios como se minha presença ali fosse um insulto, apesar de tudo o que eu tinha feito pelo povo.

Eu não me deixei abater. Ele esteve comigo nos últimos três dias, pensei tentando me encorajar mesmo que meu coração batesse forte depois de Kaian não ter dito sequer meu nome. Ele cuidou de mim, cozinhou e me tratou como uma verdadeira princesa. Aquilo não podia ter acabado.

Dei a volta na mesa, colocando a sacola na mesa antes de tocar seus ombros, me aproximando para beijá-lo, o perfume dele me envolveu no mesmo instante que ele me encarou e eu sorri sentindo minhas bochechas ficarem quentes, enquanto eu ansiava pelo beijo dele.

Mas Kaian virou o rosto rapidamente, deixando que meus lábios tocassem sua bochecha, o movimento frio e calculado fez meu estômago afundar e meu rosto queimar, mas dessa vez de pura vergonha enquanto ouvia os risos baixos e os sons de deboche.

— Eu... eu fiquei preocupada. Você não comeu nada essa manhã. — murmurei com a voz perdida, retorcendo meus dedos trêmulos, recuando para encará-lo. — Achei que poderíamos almoçar juntos... como nos últimos dias.

Mas ele não ousou me olhar de novo, Kaian fingiu estar focado nos papéis a sua frente.

— Pode ir, Alina. Tenho coisas mais importantes para resolver. — a resposta seca e o breve aceno com a mão, claramente me dispensando.

Foi como ser atingida por um golpe de indiferença e desprezo, e dessa vez vindo dele, o homem a quem eu me entreguei de corpo e alma. Os anciãos riam abertamente, parecendo como veneno aos meus ouvidos, enquanto a dor se espalhava no peito, cortante e profunda.

— Mais importantes? Agora eu não sou boa o suficiente pra você, mas há dois dias eu era mais que suficiente enquanto você não conseguia tirar as mãos de mim. Eu tudo o que você necessitava, tudo o que sempre quis. Essas foram suas palavras, Kaian! E agora quer fingir que nada aconteceu? Que tudo foi uma ilusão da minha cabeça?

Ele se ergueu batendo as mãos na mesa sem se importar com os papéis voando e os objetos voando para o chão.

— Aquilo foi só o poder da lua de sangue controlando meu corpo, me fazendo dizer insanidades!

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