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A Noiva Rejeitada do Alfa romance Capítulo 41

Eu me sentia um desgraçado completo, um alfa que traíra não só sua esposa, mas tudo o que jurara proteger. As palavras que eu cuspi no escritório ainda ecoavam na minha mente como uma maldição depois que a vi desmoronar ali, os olhos verdes cheios de lágrimas que eu causara, o rosto pálido como se eu tivesse sugado a vida dela com minhas próprias mãos.

— Porra, por que eu disse aquilo? — o lobo uivando baixo em protesto, como se soubesse que eu errei.

Mas eu sabia por quê. Humanos só traziam dor ao meu povo e a noticia que tive aquela manhã foi a certeza disso, eu jamais poderia me deixar por ela ou o que nossa ligação causava. Eles só serviam para caçar, matar, destruir famílias como fizeram com a minha. Eu tinha que odiá-la, era meu dever para com meus pais. Mas doía pra caralho a ideia de não poder ficar com ela, eu a magoei depois de tudo o que tivemos, depois de sentir ela se entregar a mim de corpo e alma, se rendendo em meus braços. Mas até quando ela aguentaria isso ao meu lado?

Abri a porta de casa sendo recebido por um silêncio estranho, tudo estava escuro e não era o normal mesmo sendo já tarde da noite. O perfume de Alina misturado ao de comida fresca que me envolvia assim que eu entrava, não estava ali aquela noite.

Apurei meu olfato tentando sentir onde ela estaria, mas o cheiro dela estava fraco, como se horas tivessem passado sem sua presença viva pulsando pela casa. Meu lobo farejou o ar instintivamente, inquieto, as narinas dilatando enquanto eu parava na sala sentindo o coração acelerar levemente sem motivo aparente.

— Alina? Onde você está? — perguntei mesmo sabendo que ela não estava ali. O pressentimento ruim cresceu dentro de mim com o silêncio ecoando pela casa.

Já era tarde, o céu escuro lá fora salpicado de estrelas frias, e Alina não saía àquela hora. Ela ficava em casa, no jardim ou na cozinha, esperando como uma esposa devota que eu não merecia, mesmo depois de tudo o que eu a fiz passar.

Caminhei pela sala, os passos ecoando no piso de madeira como batidas de um coração ansioso. A cozinha estava impecável, os balcões limpos, havia algumas panelas no fogão e eu me aproximei abrindo e vendo que era o mesmo que ela havia levado para o meu almoço.

A tristeza me bateu com força, culpa pesando dentro de mim. Ela tinha sido cuidadosa, atenciosa e eu a tratei da forma que nunca deveria.

O desespero bateu de repente, apertando meu coração como uma garra de ferro, o lobo uivando em alarme dentro de mim.

— Isso não está certo. Algo errado aconteceu.

Subi as escadas dois degraus de cada vez enquanto o pânico subia pela garganta como bile amarga. O quarto dela estava vazio, a cama feita com precisão militar, o lençol esticado sem um vinco. Me apressei indo até os armários dela, meu desespero cresceu e eu corri até as gavetas, o banheiro adjacente. Nada. As roupas dela haviam sumido, os cremes e maquiagens que ela usava, as ervas secas que pendurava nas janelas evaporadas como se nunca tivessem existido. Os móveis ainda estavam no lugar, mas tudo que era dela se fora, como se ela tivesse sido apagada da existência.

— O que é isso? Não pode ser real.

Meu coração acelerou para um ritmo frenético, o pânico me consumindo como fogo selvagem, o lobo uivando em agonia enquanto eu me apoiava na parede tentando pensar no que poderia ter acontecido. Minha esposa sumiu.

Minha mente girou me fazendo imaginar cenários horríveis, ela machucada, sozinha em algum lugar, ou até pior.

Peguei o celular com as mãos trêmulas, os dedos escorregando na tela enquanto ligava para Leon, o único em quem confiava para uma resposta direta e honesta. Ele atendeu no terceiro toque, a voz cansada e irritada, como se eu o tivesse acordado de um sono profundo.

— Kaian? O que foi? Já é tarde pra caralho.

— Alguém tomou outra cabana na reserva? — perguntei, com o peito apertando como se uma mão invisível o esmagasse, torcendo para que ela estivesse se escondendo em algumas delas, com raiva do que fiz.

— Não, por quê? — respondeu ele, a confusão evidente no seu tom, que rapidamente mudou para alerta. — O que aconteceu?

— Alinda. Me diz que ela está na sua casa, me diz que você está com ela ai! — pedi sentindo o desespero aumentar.

— Não, eu não a vi o dia inteiro. Mas que droga você fez dessa vez?

— Ela sumiu — soltei com a voz falhando, o medo de não saber onde ela estava me engolindo como uma onda gelada. — Alina sumiu. As coisas dela... tudo desapareceu da casa. As roupas, as ervas, tudo. O que eu faço? Porra, o que eu faço?

O silêncio do outro lado foi ensurdecedor, esticando-se como uma corda tensa prestes a romper, e então Leon suspirou, longo e pesado, como se carregasse o peso do mundo.

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